sexta-feira, 13 de abril de 2012

É mais ou menos assim...



A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.


A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.


A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...

TUDOBEM!


O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...


É amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.


Senão a gente corre o risco de nos tornarmos uma pessoa mais ou menos.


Por Chico Xavier

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Superexigir...



“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

(Clarisse Linspector)

Soneto de Véspera

(Vina de Moraes)




Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No fim, todas as idéias de uma mente pensante se completam...

...só é preciso esperar que tomem forma uma a uma para que possam vir ao mundo fazer companhia às anteriores. 





É como um círculo que vai se fechando em seu devido tempo. 
Creio eu...

LUZ, CÂMERA, AÇÃO!!! (Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuun!)


"O último dia do ano não é o último dia do tempo." 
Carlos Drummond de Andrade




10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... Gravando!!!


That's it! O ano de 2012 está valendo e não é possível fazer cortes, remakes ou edições. Ou você faz direito, ou você faz médio, ou você faz merda... ou você não fez e ficou por isso mesmo.

Isso porque o tempo, segundo Sêneca, é a única coisa que não se pode devolver. E não pode mesmo. Ele não volta. 


"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra." 
Mario Lago


"A vida toma muito tempo ao homem." 
Stanislaw Jerzy Lec
 


Mas será que para que algo novo comece é necessário que "outro algo" termine?

Estamos no início de 2012. Ano novo. Em parte é começo, em parte é continuação, em parte é fim. Acho que muitas vezes nas nossas vidas nos deparamos com momentos como esse - de (re)começo-, mas a diferença é que, ao contrário do início de um ano, esses momentos costumam ser mais sutis, menos impregnados de reflexões, esperanças, medos e expectativas.

Tive vontade de escrever um post no final do ano passado, mas por um motivo aqui outro acolá, nunca conseguia parar tempo suficiente (sempre o tempo!!!). Cheguei a começar a elaborá-lo mentalmente, como acontece com muitos posts, mas não posso dizer como seria porque geralmente minhas oficinas mentais geram protótipos muuuuito diferentes dos que coloco em exposição na minha galeria virtual chamada "blog".

Pensei que seria como uma carta para o Papai Noel: "Querido Papai Noel, É o seguinte..."


Nem bem o ano virou e esta carta já possui um apelo muito diferente ao meu coração daquele que teria há um mês! Tipo... há um mês eu não diria ao Papai Noel que precisava de uma injeção que fizesse a pessoa enxergar o mal que ela é capaz de fazer ao outro que ela deveria era cuidar (o que faz mal a ela também, né?)... ou de uma máquina de fazer dinheiro, mas não ilimitado, só uma quantia "x" pra dar pra uma pessoa pra ela não ficar com raiva nem brigar com outra por dinheiro... acho isso o fim do fim do final da picada. Muito triste.

Mas eu não sabia que ia precisar dessas coisas há um mês. E mesmo que soubesse, cadê a carta?!

A carta que nunca escrevi! Só uma cláusula pétrea da carta permanece igualmente importante pra mim: preciso que seja descoberto um pomar cheio de árvores, muitas árvores mesmo... e que estas árvores estejam abarrotadas de frutos e que estes frutos sejam repletos de sementes e que estas sementes carreguem a cura para o câncer. Preciso que todo mundo tenha acesso a estas sementes e que todos possam plantá-las em todos os lugares... e tê-las em casa nem que seja sob a forma de bonsai. 

"Querido Papai Noel, em tempo!"


É ok pedir algo que vai me beneficiar muitíssimo, se eu não tiver conseguido ainda ser a melhor pessoa que poderia ser? Preciso manter junto de mim uma pessoa importante, e preciso não me sentir mal sabendo que além de mim, todas as Dudas do mundo poderão manter junto de si pessoas importantes também. Sei que é muito egoísmo meu querer manter uma amizade especial junto de mim e, assim, evitar que ela vá encher de energia lá o céu... sei que é muito egoísmo não querer sentir remorso por ser beneficiada em detrimento de todo mundo... mas será que, considerando que existem muitas pessoas por aí que ficariam hiper mega felizes com essas sementes... não teria como quebrar meu galho? Será que é ser muito mala mencionar essas pessoas mais legais pra conseguir o meu presente de natal?

Aiii! Difícil demais ser uma pessoa boa boa boooa mesmo, né? 

Então!

Bom! A gente tem que tentar. É o mínimo que podemos fazer.

Dizem que a vida é cíclica. Daí porque sempre estaríamos num processo contínuo de existência e aprendizado. Estamos vivendo o resultado das escolhas que fizemos e também das que deixamos de fazer. Estamos amadurecendo, cada um no seu ritmo, moral e intelectualmente. Estamos desbravando novos caminhos, ou perseverando nos caminhos em que nos encontrávamos, estamos andando em círculos, de lado ou até mesmo em marcha ré... Estamos seguindo, isto é, vindo "de" e indo "para".

A extensão desse ciclo? Ula-lá! Fica a critério da imaginação de cada um. A eternidade e a infinitude da alma humana são os possíveis "limites". Fica a dica...

Maaaas... contudo, entretanto, nada obstante... No decurso deste grande ciclo, desta grande jornada... muitas etapas se cumprem. É como o velho e batido jargão que fala que as vezes se perde a batalha, mas se vence a guerra (algo assim). Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

E, sim, as etapas podem - ou não - coincidir, por exemplo, com os anos. É como eu disse na frase que inaugurou o blog, né? De Carlos Drummond.

Então! Mas para algumas pessoas 2012 pode marcar o fim de uma etapa anterior e sinalizar o início de uma nova etapa. Por que não? E quantas etapas caberiam em um ano? Como mensurá-las? Quem ousaria limitá-las? Qual a relação entre o tempo e o viver? O tempo cronológico? Quanto de vida cabe em quanto de tempo? 

Vejam bem. Pode-se viver um "nada" de coisas em um "mundo" de tempo... e igualmente pode-se viver um "mundo" de coisas em um "nada" de tempo. Depende! Tudo depende!!!!


"Não adianta correr, precisa sair em tempo."
Aesop

Ontem estava pensando que as vezes, não sei se se requer modéstia ou falta de modéstia para tanto, me sinto meio Forrest. Forrest Gump, sabem? Tom Hanks? Do filme?





Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest, ruuuuuuuuun!


Run... "só mas um pouquinho!"

Nossa.

Esse pouquinho que mata!

Tive até a presunção de achar que a minha vida daria um filme muito do "assistível". Sim. Acho que daria.

Claro que seria muito mais legal se fosse o tipo de filme taxado como ação ou aventura ou até mesmo romance. Mas acho que não teria como escapar do drama.



Se tive uma vida emocionante?

É uma forma de se colocar... sem dúvida. Digamos que tive uma vida igual à de muita gente, mas acho que por trechos. Talvez isso aconteça muito e muitas pessoas tenham vidas que dariam filmes assistíveis... Só que foram muitos os trechos da minha vida - acredito eu, do alto da minha experiência de roteirista e diretora de cinema - que poderiam ser "scriptados", quer dizer... que seriam dignos de filmagem... sei lá! Tô viajando.

É que em tantas ocasiões aprendi coisas importantes ou vivi situações muito marcantes... ou cometi erros tremendos que acho importante que as pessoas vejam para que jamaaaaaaaaais repitam! Ou fui vítima de tais erros! Em tantas ocasiões banquei a boba... ou dei a mão para ajudar ao bobo. Ou tive que ser mais forte do que se acreditava que eu poderia (ou eu acreditava), ou achei que tinha que ser forte e não tinha coisa nenhuma... Mas foram momentos tão.. hum... dramáticos mesmo! kkkkkkk Enfim!!! É isso... Não sei se sofri mais do que DEVERIA, porque "sentimental eu sou, eu sou demais... e sei que sou assim porque assim ela me faz"... apesar de que acho que quando era mais nova era bem durona... fruto da síndrome de "provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém".

É que eu fui tão precoce. Mas tanto... que só depois de adulta, lá pelos meus vinte e poucos anos, fui ser criança. Fiquei com isso mal resolvido, mal vivido. Na quinta série o que eu mais gostava de fazer era ler sobre reforma agrária. hahahahaaha "Te meeeeeete!" Vê se tem cabimento uma coisa dessas? Pois é.

E falando em todas essas memórias, a Revista Super Interessante afirma que a vida é representada para nós como um conjunto delas (as memórias) já que o presente teria a duração científica de 3 segundos (Uuurrrraaaa!!!) e literalmente nós viveríamos de passado mesmo. É mole? Quem lembra que eu disse que é a maior besteira afirmar que "quem vive de passado é museu" porque todo mundo vive de passado meeeeeermo? Estão vendo??? hahahahaha

Nã nã nã nã nãaaannn! Estou cientificamente endossada! =)



A diferença é que a Super Interessante demonstra o quanto que nós manipulamos nossas memórias (Aaannnhããããm!!! Eu acredito nisso! Tem gente que só pode manipular mesmo pra afirmar com tanta veemência tanto absurdo!) e que podemos optar entre manipulá-las para o nosso bem ou para o mal. Optar também a respeito das memórias que queremos armazenar e até mesmo contribuir para a formação destas.Trocando em miúdos, a gente lembra do que quer, como quer, ressalvado o fato de que alguns eventos são mais propícios a serem armazenados no nosso HD.



Mas aqui estou eu divagando e me afastando um tantinho do tema do post... ai ai ai.

Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuuun!

Em alguns momentos estamos em franca corrida, né? Super running Forests... Alguém até já gritou o último "ruuuuuuuuuuun"... o fôlego tá no fim (Fôlego? Que fôlego?). E aí eu tento focar em Shakespeare: "E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais."

Noooosssaaa!!! Que raiva que dá de Shakespeare nessa hora!!!! "Mermão! Não posso suportar mais coisa nenhuma!!! Que saco!" Mas será? Será que não podemos? "Vou? Não vou? Vou? Não vou?"

E resolvemos correr só mais um pouquinho. Só até o próximo poste. Só mais 10 passos. Só outros 10. E quando nos damos conta... chegamos. E o infeliz do Shakespeare tinha razão. A disgrama! Mas a gente sabia, não sabia? Huuuum... saaaaaabia! Devia saber. Lá num fundo tão fundo que não dava nem pra ver, a gente sabiiiiiia.

Eapois!

Eu, pelo menos, entrei 2012 numa dúvida danada. Não sei se estou terminando ou se estou começando uma corrida. Ou será que as duas alternativas estão corretas? Afe! Duas corridas assim?! Canseira... Mas e o jeito?!

Me sinto tipo isso mesmo.

Embora sinta que estou saindo de uma corrida super difícil rumo à seguinte, tipo... a faixa de chegada da anterior é a largada da próxima (já pensou!?)... sei que não é bem beeem beeeem assim! Agora que - por sorte ou conveniência do destino - li a Super Interessante, descobri que isso ocorre porque meu cérebro registra só os eventos mais intensos, e o cansaço que me acomete nos últimos metros, sem sombras de dúvidas, são super intensos... e também a ansiedade que me tortura nos instantes pré maratona... afe.

Mas sei que tive meus breaks em 2011. Meus momentos ótimos. Minhas conquistas e coisas excepcionalmente boas que me aconteceram.

De todo modo. Hoje, agora, neste momento de my life é por aí mesmo: 2011 foi um ano DAQUELES... e 2012 tá começando DAQUELE jeito. Aí já viu, né??? E não é "privilégio" meu não, hein? Olho para os lados - os DOIS lados - e vejo companheiros de vida e de maratona... suando a camisa... SUAAAAAAAANDO a camisa... língua de fora... olhos esbugalhados e no olhar deles vejo estampadas as mesmas perguntas que me repito constantemente: Vai dar?! Eu dou conta?! E o mesmo medo inquietante de se descobrir - ou se ver descoberto - uma grandessíssima fraude... porque todo mundo DIZ que espera tanto deles e eles se acham capazes de tão menos. Ou será que secretamente as pessoas sabem que eles não aguentam e já se decepcionaram com o pouco que eles acreditam ter conquistado? Será? Será que tanto sacrifício não é mais para "conquistar" nem para "manter", mas para "recuperar"? 


E ao mesmo tempo que leio seus pensamentos, que na verdade é como se fossem aqueles lasers de filmes que se cruzam e se cortam pelo ar... nós é que corremos por entre eles... eles é que nos rasgam o corpo e a mente. Enquanto isso acontece, olho em seus rostos e só o que vejo é a determinação que vence o cansaço. Determinação que vence cansaço. Morreeeeeeendo... mas lutando. E sigo junto! Porque nos motivamos uns aos outros com nosso desespero heróico, heróico desespero. Não somos maratonistas que competem entre si pelo primeiro lugar. Não se trata de ganhar ou perder: mas de ganhar ou ganhar. Não existe classificação, existe linha de chegada e pronto.


E chegamos a 2012.


Mas espere!


Mal atravessamos a linha de chegada ouvimos um estampido! Pow! E já foi dada a largada!


Um cara sentado numa cadeirinha de madeira e panos pretos gritou "Silêncio no estúdio... GRAVANDO!" (eu sempre quis dizer isso). A claquete bateu e nem sequer havíamos parado por completo, seguimos.




Só se ouvia os corações batendo em ritmo de percussão.

O silêncio não era, ali, fruto de obediência, mas da ausência de palavras. Só a ausência de palavras é capaz de calar um homem. Tanto havia a ser dito que só restou o mutismo e as caras pasmas que corriam dando início ao ano de 2012.

E para o quê corremos?

Run Forest, run Forest, run Forest, run Forrest, ruuuuun!!!

De que corremos?

Por que corremos?

Em parte corremos em nome do processo de "dar continuidade". Aquela continuidade sobre a qual já falei. Não significa que não paremos nunca de correr e tenhamos um pouco de tempo para caminhar ou passear despreocupados... mas existem momentos e momentos. Enquanto estamos "aqui", em nossas missões de nos tornamos pessoas melhores, de servir ao próximo, sermos bons filhos de nossos pais (todos eles, TODOS...)... o tempo é intolerante e normalmente é preciso correr.

Muitas vezes, penso eu... corremos para fugir e para procurar... mesmo sabendo que são empreitadas insanas. Não se pode fugir de si mesmo e nem procurar longe de nós o que está dentro da gente. É nossa maior e mais constante contradição.

E corremos, muitos de nós, alguns não... nem sei, sendo honesta, se a maioria corre ou deixa quieto... porque queremos tentar. Queremos nos libertar. Queremos sair "dessa" melhores do que entramos. Queremos fazer uma diferença no mundo... Queremos que "os nossos" sintam orgulho de nós. Queremos chegar ao final do arco íris. Queremos acreditar que não é em vão. E precisamos provar nossa tese. Então corremos. Corremos até o fim, acreditando que haverá um fim. Ao menos o fim de uma grande etapa. Uma grande etapa que venha englobar todas estas etapinhas. E aí descansaremos sabendo que a guerra não terminou, mas a batalha está vencida. Talvez seja assim... Talvez venham as etapas, daí as batalhas... e um dia a guerra.

Guerra para que nos tornemos a melhor pessoa que podemos ser. Autoguerra. Win-win ou lose-lose situation. Depende só de se lutar.


É. Melhor se preparar... vestir armas e seguir.





Algumas coisas não dependem de nós.

Mas algumas coisas dependem!

Pelo menos não dependem de nós nós nóooos... eu ou você ou nossos vizinhos, colegas, familiares e amigos.

Meu pedido para Papai Noel, por exemplo.

Pode ser que alguém consiga (e não seja um duende no Polo Norte), ter uma ideia diferente com um resultado parecido. Quem sabe? Pode ser que aí... o que eu pedi dependa desse alguém. E então, será que eu não poderia dizer que a descoberta não seria como a linha de chegada para essa pessoa?



Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuun!!!!

Corremos.

Mantemos em mente nossas expectativas e esperanças. Sonhos e desejos. Tão secretos, algumas vezes tão, mas tãããão secretos, que escondemos até de nós mesmos. Fingimos que corremos por amor à pátria, sei lá!!! Mas estão lá. Imaginamos que um dia iremos nos deparar com uma linha de chegada diferente das anteriores. Imaginamos que iremos correr por pairagens mais verdes, mais azuis... Imaginamos que iremos beber águas mais saborosas e que matarão nossa sede por completo... Imaginamos que nos depararemos com tesouros perdidos, conhecimentos inesperados, pessoas inesquecíveis. Imaginamos que valerá a pena. Que as coisas ruins passarão... e as boas irão prevalecer. E que prevaleceremos nós.


Poeminho do Contra
(Mário Quitana)
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
(Prosa e Verso, 1978)


E começamos. E recomeçamos. De novo e novamente...

Não importa quantas vezes e não importa em que espaço(s) de tempo.

Dói. Confesso que dói. Ou pelo menos incomoda. Quando precisamos recomeçar de supetão. Reclamamos e nos sentimos injustiçados e acabrunhados. Sim...

As vezes achamos que a injustiça está em precisar nos recompormos em apenas 4, 6 ou 8 meses para começar tuuuuudo outra vez. "Pouxa vida!!! Com Fulano e Beltrano está tudo de vento em polpa há tanto tempo! Não estou querendo que ninguém se estrepe! Só estou querendo eu parar de me estrepar! Me aquietar... Curtir uma estabilidade."

Outras vezes achamos que injustiça mesmo é depois de 4, 6 ou 8 anos ter que começarmos tuuuudo outra vez. Quando estávamos tão habituados! "Pouxa vida! Não é justo alguém que se dedicou tanto a alguma coisa ter que recomeçar!" E sempre vai ter alguém há mais tempo que você que não passou pelo que você está passando... ou alguém que está a menos tempo que você... e que você acha que poderia passar por isso no seu lugar... Enfim!

Talvez nos falte confiança. Em Abba. Em nós. Talvez nos falte resignação. Talvez nos falte impulso mesmo... e então tudo muda e vira de ponta cabeça para que nos ponhamos a alçar novos vôos! Vai saber??? Etapas terminam. Etapas começam. E a vida? A vida continua.



Erguemos os olhos, silenciosos, correndo. Eu e meus colegas maratonistas. Respiramos pela boca, diminuímos os passos pois não sabemos o tamanho do percurso que nos aguarda e precisamos poupar energia.

Recuperados do susto com o disparo da largada a o grito do diretor que ecoou por meio do megafone, analisamos a pista de chão firme e rente à nossa frente e, desconfiados, olhamos para os lados.

Nos deparamos com um cenário novo. Novo como o ano novo. Novo como o desafio novo.

Por trás das nuvens que ainda deixam o dia nublado (o que é bom, porque nos protege do sol causticante) vislumbramos um azul que se anuncia. Observamos pessoas que torciam e torcem por nós, contentes com nossa chegada e esperançosas com nossa largada, sorrindo em encorajamento, algumas com os olhos marejados de emoção e afeto. Nos passam mais confiança do que desconfiança. Talvez não esperem nada de nós, ou tanto quanto pensamos ou esperamos nós mesmos. Talvez apenas esperem a nós... É um pensamento tão bom que temos dificuldade em mantê-lo.

É essa mania que temos de achar que "só" você não bastaria a ninguém. Que é preciso um "kit sucesso", "kit eu-venci-na-vida"... Sabemos que é bobagem, mas deliberadamente descartamos e negligenciamos a informação, nos confortando apenas secretamente com os corações acalentados, ainda que por um instante. Para que, em seguida, possamos sair em busca do Santo Graal perdido novamente. Go figure!

O horizonte nada revela, tudo promete. Tudo é possível em 2012. Tudo! Há até um arco íris! Sim. Dá pra imaginar um duende e um pote de ouro ao final. Telepaticamente digo ao duende que melhor faria ajudando Papai Noel com meu presente... ainda tenho esperança. Huuum... peço a Abba também que ajude. Papai Noel e Papai do Céu S.A.!

Quanto ao pote de ouro. Bom... é só uma metáfora, não é? Claro que pode ser transferido para minha conta no BB... hahahahahaha Mas não é que existem coisas que o dinheiro não pode comprar?

Outro dia vi no facebook que dinheiro não traz felicidade, mas leva a gente pra sofrer em Paris. Nada mal... Só que eu não quero sofrer nem aqui nem na China e nem em Paris. Nan nan nin!

Até admito que o pacote seria "master plus elite style" com um dinheirinho dentro, mas caixão não é baú.

Run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuuun!!!



Run só mais um bucadim...
Cochilou, cachimbo cai!


Daqui a um tempo, irei olhar para trás e o cenário será outro. Já não poderei avistar 2011, o diretor, as pessoas, a linha de partida.


Com um sorriso nos lábios olho firme em direção ao horizonte e incerta do futuro, mas confiante em mim, no caminho que estou percorrendo e em Deus, dou passos decididos e constantes. Ao meu lado sinto a presença dos meus companheiros de maratona, cada um com sua obstinação, já com seus pensamentos guardados para si. Seguimos, tão juntos e tão separados, cada um rumo ao seu próprio objetivo.

E penso cá comigo: "Feliz Eduarda".

Feliz João, Feliz Maria, Feliz Isabel, Feliz Marina, Feliz Giovanna, Feliz Marden, Feliz César, Feliz Ana, Feliz Rafael, Feliz Beatriz, Feliz Bruno, Feliz Juliana, Feliz Cecília, Feliz Camila e Camilla, Feliz André, Feliz Andressa, Feliz Fábio, Feliz Hugo, Feliz Daiana, Feliz Marcela, Feliz Maíra, Feliz Marcelo, Feliz Rayana, Feliz Aline, Feliz Cinthya, Feliz Faberi, Feliz Fátima, Feliz Luana, Feliz Elza, Feliz Helen, Feliz Jair, Feliz Fabrício, Feliz Diogo, Feliz Mariana, Feliz Felipe, Feliz Helvio, Feliz Polyana, Feliz Liliane, Feliz Hudson, Feliz Jussara, Feliz Júlio, Feliz Francisco, Feliz Rosane, Feliz Tânia, Feliz Simone, Feliz Fernando, Feliz Rogério, Feliz Roberta, Feliz Daniela e Daniella, Feliz Mirian, Feliz Liana, Feliz Vanessa, Feliz Mayza, Feliz Rodrigo, Feliz Eduardo, Feliz Pedro, Feliz Lucas, Feliz Matheus, Feliz Isabela, Feliz Déborah, Feliz Maíra, Feliz Thiago, Feliz Catarina, Feliz Monique, Feliz Sabrina, Feliz Natália, Feliz Sofia, Feliz Cristiano, Feliz Philipe, Feliz Tereza, Feliz Gabriel, Feliz Cláudia, Feliz Gerson, Feliz Thaís, Feliz Priscila, Feliz Ricardo, Feliz Nádia, Feliz Daniel, Feliz Gustavo, Feliz Antônio, Feliz José, Feliz Luís, Feliz Alexandre, Feliz Rubens, Feliz Morgana, Feliz Luciana, Feliz Bruna, Feliz Fernanda, Feliz Amanda, Feliz Patrícia, Feliz Heber, Feliz Marcos, Feliz Paula, Feliz Valesca, Feliz Erik, Feliz Elisa, Feliz Rita, Feliz Valdete, Feliz Antônio, Feliz Bartolomeu, Feliz Carlos, Feliz Josefa, Feliz Sebastião, Feliz Jeferson, Feliz Reginaldo, Feliz Carla, Feliz Paulo, Feliz Bárbara, Feliz Armando, Feliz Madalena, Feliz Dueli, Feliz Flávia, Feliz Abigail, Feliz Grace, Feliz Carminha, Feliz Saulo, Feliz Renato, Feliz Virgínia, Feliz Andrew, Feliz Luíza, Feliz Felizardo =), Feliz Marilde, Feliz Silvana, Feliz Anderson, Feliz Reneide, Feliz Robson, Feliz Gabriela, Feliz Carolina, Feliz Marlize, Feliz Eliseu, Feliz Mônica ...


Que sejam sempre felizes, em 2012 e em qualquer oportunidade, qualquer momentinho... Que encontrem razões e motivos para estarem felizes, nem que seja por instantes e que estes instantes se multipliquem e sejam revividos em memórias felizes também.

Por mais sincero que seja o desejo, 2012 não vai se fazer e nem fazer ninguém feliz sozinho. 


Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuun!!!



"E que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar a o espírito" 
Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Coisas incompreensíveis, mas que ninguém precisa entender mesmo.


"Me ajudem a entender aquilo que estou dizendo para vocês, e explicarei melhor."
Antônio Machado


 
As vezes achamos que as coisas finalmente se acertaram e que estão caminhando como têm que ser.


Outras vezes ficamos convictos de que está tudo de pernas pro ar.


Tudo isso acontece porque o mundo é assim... a vida é assim:


CHEIOS DE COISAS INCOMPREENSÍVEIS,
MAS QUE NINGUÉM PRECISA ENTENDER MESMO


Na verdade, não raro essa sensação traduz o sentimento de que as coisas estão indo conforme a nossa vontade e que queremos que continuem no mesmo caminho, que supomos o certo somente porque é bom e conveniente.


Por isso, quando é assim, não demora até que tudo mude e nossas vidas virem de cabeça pra baixo.



Em outro giro, quando as coisas estão em total "pânico e terror"... sei lá! As vezes tocamos o "f#%$@-se" porque é como diz o filósofo Tiririca: Pior do que tá, não fica.


Talvez eu esteja querendo dizer que quando tudo está do jeito que “deveria estar” ficamos prisioneiros dessa perfeição, prisioneiros porque o medo de estragar tudo, de “perder” aquilo... esse "abismo iminente" nos deixa em pânico constante.


Talvez eu esteja querendo dizer que quando está tudo "uma zona" ficamos livres pra esculhambar e arriscar e sermos insanos (!), irresponsáveis (!), ficarmos NEM AÍ porque, “se bobear”, as coisas de repente se ajeitam... então dos dois, um: [A] ousamos uma solução improvável e arriscada ou [B] aproveitamos pra ficar à toa e sermos irresponsáveis, doooidjos, cansados, ciganos... todas as coisas que não podemos nos dar ao luxo de ser quando está tudo bem e o pânico de arruinar o momento nos deixa prisioneiros da vontade "inútil" de aprisionar uma perfeição que já "sabeeeemos" que nunca será eterna.


Anyway! Sabendo instintivamente da instabilidade das circunstâncias, temos a mania de rotulá-las em boas e ruins conforme sejam ou não sejam do nosso agrado, ou sejam ou não aquilo que deveríamos desejar para sermos socialmente enquadrados como felizardos, quer dizer, aquilo que sabemos que qualquer pessoa no nosso lugar gostaria de ter.


Quando está tudo bem pensamos que aquilo tudo não poderá durar muito tempo porque seria "bom demais pra ser verdade" e talvez com nossos pensamentos, e até gestos,  sejamos nós mesmos os responsáveis por encurtar ou encerrar um momento de nossas vidas que realmente poderia ser duradouro e se prolongar por sabe-se lá quanto tempo!


Há, contudo, quem tenha o bom senso de usufruir dessas horinhas. Ainda bem! Há também quem aprenda a administrar melhor o que está vivendo. "Tá bom assim? Que maravilha! Ao invés de pensar o que poderia sair/estar errado vou é aproveitar!" Ufa! Que alívio que constatamos que é possível aprender com os erros do passado.


Que bom que, eventualmente, desistimos de tentar o ouro olímpico na modalidade "quem acha mais cabelo em ovo?" É a SPN (Síndrome do Peru de Natal) da qual falei há uns posts  e que se tornou uma das maiores epidemias que já acometeram a humanidade... Mas queeee bom que pelo menos estamos nos tornando conscientes das nossas criptonitices e calcanhalecisses de Aquiles! Amém! Yeaaah!


Não vou dizer que é fácil acreditar que ao menor sinal de que tudo vai bem podemos suspirar tranquilos e sossegados e pensar que finalmente as coisas tomaram o caminho correto e pelo qual esperávamos! Claro que temos um pé atrás e um receio razoavelmente justificado. Dá medo mesmo isso de entrega... de nos entregarmos assim facinhos desse jeito à “felicidade”. Essa “tal”...



Sabemos que não é incomum que a pessoa se sinta realizada e fique ali viajaaando... antecipando como vai ser a vida... tantos eventos e anos de felicidade e realização! Maaas, por motivos incompreensíveis - ao menos para mim - os sonhos se arruínam e se desfazem em meio ao vão na poeira do caminho! Como diz Shakespeare: “...porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão...”


Curioso... Depois que "conheci" Derek (o cara canadense que faleceu, escrevi sobre ele no post http://eduardachacon.blogspot.com/2011/05/o-ulitmo-post-antes-de-morrer-ele-tinha.html) não consigo mais falar sobre a falibilidade dos planos e sobre as reviravoltas da vida sem lembrar dele... Enfim! Temos que estar preparados para o fato de que, não importa quanto sentindo tudo faça dentro da nossa cabeça, o que se passa dentro da nossa cabeça é uma parcelinha ínfima do mundo, embora seja o mundo inteiro para nós.




Paciência!


Acho que é o que MAAAIS repito aqui, no fim das contas é o seguinte meu povo... de tudo que já postei no blog sobre os planos que fazemos para a nossa vida, fica a frase de John Lennon que resume perfeitamente bem minha conclusão: "A vida é aquilo que nos acontece enquanto estamos ocupados fazendo outros planos".


Por que?


Por que estamos sendo constantemente testados? Por que quando não é a vida que nos testa, somos nós mesmos nos testando? Com jogos, pegadinhas, provas e escolhas propositadamente e conhecidamente tricky e desnecessários? Por que, não raro, usamos tudo ao nosso alcance para negar a realidade quando simplesmente enxergá-la poderia fazer tudo tão mais fácil? Mais lógico?


Por que esse medo? Medo do medo! Medo do medo do medo!!! Pra quê tantas válvulas de escape? Por que tantas frustrações? Tanta auto-cobrança e tanta preocupação com o outro? Medo do “de fora”? Do alheio? Do inútil?


Eu digo isso: perdemos um tempo absurdo em conflito conosco. Como é que poderíamos sair vencedores e não derrotados – ao menos concomitantemente – de um conflito assim? Conosco? Constranosco? Veem como é incongruente? Incoerente?! Não poderíamos!!! Ponto. Simples assim!!! Entramos numa briga que vencendo ou não, seremos os maiores loosers! Porque estamos dos dois lados do ringue... Que coisa de gente doida (e mongol?!) é essa?




Que coisa extremamente difícil que é ter o mínimo de auto-domínio. Auto-conhecimento. Auto-consciência da própria ignorância!!! Li essa frase que diz o seguinte: "Conseguir cem vitórias em cem batalhas não é prova de excelência. Subjugar o inimigo sem lutar é prova de excelência." (Sun Tzu). Pensem BEM sobre isso... que coisa fantástica!!!!


Quer dizer... aplicando isso a nós mesmos seria como dizer que não precisamos nos impor um regime de limitações, torturas, restrições, regras e padrões... Precisamos criar uma maneira de convívio que seja harmonioso de modo que consigamos arrancar de nós mesmos aquilo do que precisamos sem que isso constitua privação, conflito ou sacrifício. Tudo isso dentro do nosso limite de tolerância.


Quer dizer: podemos ser legais conosco "por bem" ou "por mal".


Logo, precisamos dar um jeito de sermos legais conosco "por bem" .



Isso sem parecer que estamos nos permitindo indulgências, porque o homem repele tudo que ele considera como "esmola".




Logo, temos que nos enganar para sermos bons conosco sem acharmos que estamos nos dando esmola ou, caso contrário, iremos nos sabotar e procurar o caminho mais difícil para provar a nós mesmos que não precisamos dos nossos próprios favores!!! 


É isso!?


É mais fácil, é mais tolerável que sejamos bons do que ótimos com nós mesmos.  É isso... É puro instinto! Ok! Que seja! Um "bom" que não force e agrida a nossa tolerância é mais negócio do que um "ótimo" que nos desgaste ao limite de nos obrigar, eventualmente, à rebelião, “auto-rebelião”!


O custo benefício do "bom", assim, é muito melhor a longo prazo e, nesse ritmo, proporciona uma paz relativa. Não é interessante?


Enfim! Se de vez em quando nos sentirmos "ótimos", quer dizer que de vez em quando, com maior frequência, provavelmente, NÃO nos sentiremos ótimos. Então, a longo prazo, o resultado é estresse e frustração.


Maaaaas se nos sentirmos quase sempre "bons"... mesmo que não seja "booom boooom booooom", mas "bonzinho"... então quase nunca estaremos NÃO-BONS... ou miseráveis... e, a longo prazo, teremos algo como um certo sossego. Negociozinho interessante, né?


As nossas sensações são uma coisa que ninguém compreende. Nem sei se alguém entende no fim das contas... SÃO AS COISAS INCOMPREENSÍVEIS QUE NINGUÉM PRECISA ENTENDER MESMO.



Nem sei dizer se normalmente estamos como estamos com ou sem motivo. Tristes, felizes, nervosos, ansiosos, cansawedos, eufóricos "por causa de" ou "simplesmente...".


As vezes (tipo... TODAS AS VEZES, praticamente) os sentimentos e as sensações são coisas que nos atingem absolutamente à nossa revelia. Tanta coisa que nos atinge à nossa revelia!!!!


Pior do que quando sentimos algo "sem ter nem pra quê" é quando sentimos algo que "não tem pra quê mesmo!"... Sabem? A gente tinha tudo pra estar se sentindo o exato oposto daquilo! Mas aí...


"É claro que a vida é boa e a alegria a única indizível emoção.
É claro que te acho linda, em ti bendigo o amor das coisas simples.
É claro que te amo e tenho tudo pra ser feliz, mas acontece que sou triste."
(Vinícius de Moraes)




Êêêê poetinha! O poetinha sempre entendia das coisas... ou entendia que não entendia coisa alguma! E desistia de quebrar a cabeça à toa!!! Apenas sentia. Encarava, segurava o rojão e pronto.


Eu sou insistente nisso de querer entender as coisas. Acho que é algo que está intimamente ligado ao meu arraigado hábito de pensar demasiado em tudo, sempre, tanto. Penso, penso, penso!!! Sem dúvidas, se pensar é existir, então eu existo de forma densa... até tensa.


Ontem, por exemplo, vi uma pessoa tomar um suco de maçã e pensei que maçã, como suco não me apetece. E me perguntei se maçã é uma fruta que “nasceu” pra servir de suco, afinal, não existe polpa de maçã... mas então lembrei que laranja e limão também não são comercializados como polpa... e nenhuma fruta é tão “pra suco” feito laranja... mas pensei que, ao contrário da maçã, laranja e limão são comercializados como suco concentrado, o que supriria a questão da polpa... e fiquei pensando, no final das contas... se sabendo da existência do suco de cenoura (!), realmente dá pra implicar com o suco de maçã! Mas já pensou “picolé de maçã” da Kibon? Mais uma prova de que maçã não nasceu pra ser suco? Enfim... só sei que eu prefiro a fruta não-suco.


Entendem? Como eu penso demais??? Eu e a “Teoria da existência do suco de maçã”! Hahahaha Newton não foi o único que pegou una maçã e criou uma teoria!!!



Mas aceito. Aceito que tem coisa que não se entende. Algumas coisas são incompreensíveis e ninguém precisa entender mesmo. Embora, evidentemente, isto não signifique que eu não pense a respeito destas coisas, não tentando entendê-las, mas classificando-as, ué! Embora entendendo que não é preciso que sejam compreendidas. Compreendendo tudo isso.


Acho que as pessoas talvez sejam assim. Talvez, no máximo, possamos compreender, algumas vezes, parte de suas atitudes. Determinadas atitudes... Quem sabe certas atitudes das pessoas sejam “entendíveis” e outras não! Ou uns aspectos se entendam, outros não.



E se por um lado existe essa consciência da impossibilidade de se compreender o que não se pode entender, de outro lado, haverá o inconformismo. O inconformismo permanece e não dá trégua. Coisinha difícil.



Nos inconformamos não com a “ignorância”, mas com a impotência. Com a ansiedade. Com a dor e com a ausência de dor... com a alegria e com a iminência de seu término. A ansiedade nos tortura, não podemos compreender porque insistimos nas coisas nas quais insistimos: na ansiedade inútil, no inconformismo com a ausência de mudança e de melhora/evolução – em nós e no outro, na falta de modéstia, de humildade, no encurtamento das coisas boas, no prolongamento das coisas ruins! Não compreendemos, sabemos. Mas não nos conformamos... e, no entanto, nada muda.


Como nossos sentimentos têm força sobre nós! Nunca paro de me surpreender. Os meus, minha nossa! São titânicos, tirânicos. Me adoecem e me curam. Me enaltecem e me derrubam. Possuem um poder de vida e morte, destruição e construção sobre mim. E ainda que saiba disso, me sinto absolutamente impotente.


Não posso compreendê-los QUASE NUNCA. As vezes posso fugir deles, mas NEM SEMPRE. Eventualmente, me encontram. O poder avassalador que possuem sobre mim, de me erguer e de me desmoronar... me surpreende SEMPRE. NUNCA poderia colocar, realmente, em palavras a minha relação com os meus sentimentos e os meus pensamentos.


Me pergunto: tem muita gente por aí, mundo afora, que sente o que eu sinto? Seria presunção achar que isso é bom ou ruim? Como rotular ser assim? Como explicar ser assim? Como é ver o mundo a partir dos olhos de alguém que vê o mundo a partir daquilo que entende que são os meus olhos? Será que consigo transmitir o que é ser eu? Será que é algo especialmente difícil de explicar ou entender? Ou será que é mais uma pergunta sem resposta? Que não é possível projetar-se em palavras de modo a fazer que o outro leia os nossos próprios pensamentos? Será que invariavelmente ao lermos o pensamento alheio estamos sempre lendo algo diferente do que foi escrito, mas todos balançamos a cabeça, o escritor achando que foi lido e o leitor achando que leu? Será que é isso que faço com Vinícius, Shakespeare? Será que esta é mais uma coisa incompreensível, mas que ninguém precisa entender mesmo? Será???!!!




Conheço uma menina que tem um avô que mora no céu. Um dia desses essa menina chegou cheia de “E ses” pra mim. “E se isso aquilo se se se se se se se se?”.... “E se?”


Sabe que “E”... assim como “SE”, são conjunções, né? Mas quando juntas, deixam de ser figuras linguísticas e se transformam num dilema filosófico! Como podem duas palavras separadas serem tão inofensivas e juntas tão poderosas? Pois é... Mas, e se algumas coisas são incompreensíveis e ninguém tiver que entendê-las mesmo!? E se algumas perguntas não têm respostas?


E se eu tivesse feitos planos diferentes!? E se eu não tivesse feito planos?! E se eu tivesse perguntado o caminho a alguém?! E se eu tivesse catado o “manual de instruções”?! E se não existir manual de instruções?! E se a cada um são necessárias suas próprias experiências?! E se é importante partilhar experiências?! E se eu tomei o trajeto errado?! E se eu tomei o trajeto certo, do jeito errado?! E se todas as alternativas anteriores estiverem corretas?! E se, e se, e se, e se, e se?!



Vêem?! Entendem?! Percebem?! Olha só... Eiii!!! Owwww!!! Ôôôôô menina que tem um avô que mora no céu!!! Repara isso!!! Existem coisas incompreensíveis, mas que ninguém precisa entender mesmo...

Sim. Existem coisas incompreensíveis... Mas falemos! Falemos!!! Lembremos que falar é terapêutico.

Uma amiga me perguntou outro dia que bem fazia ouvir a lamentação alheia, por exemplo... bom. Pra quem se lamenta faz um bem danado! Kkkkkkk É a “teoria da banalização” de Freud. O que era um tabu... um problema inefável, inexprimível... vira “aquele meu problema lá, sabe?” (e você pensa: quem me deeeeeeeera não saber! hehehehe) Mas é isso! Já não é inominável! Se torna meio que banal... depois deixa de ser importante porque é feito “trânsito”! Isso! De carro mesmo! Engarrafamento: aquele incômodo diário que só de vez em quando incomoda mais que o normal. É isso! Shakespeare, lembram? “Falar alivia dores emocionais”. E pra quem ouve? Bem.. pra quem ouve eu acho que também se aplica a banalização. Vai deixando de incomodar... depois você vai nos “anhãnsms” e “nmhuns”... e ainda é exercício de caridade. Amor ao próximo.


“Coragem é o que se requer para levantar-se e falar; coragem é também o que se requer para sentar-se e ouvir.”
Winston Churchill





Existe uma coisa muito interessante. É uma frase de François de La Rochefoucauld que diz: “Todos nós temos força o bastante, para suportar as dores dos outros”. Quer dizer... A nossa dor, não? Eu me identifiquei mesmo. Já escrevi sobre isso antes. De como o outro sempre é um motivo melhor do que eu mesma para que eu escreva (e por isso voltei a escrever no blog depois de dois meses parada, por causa de uma menina que tem um avô que mora no céu) e por isso tantas vezes saí do meu cantinho lá no fundo do poço... pra ajudar alguém que ainda estava na BEIRADA do poço! Nem tinha caído!!!


“Tal é a força do habito, que nos habituamos até mesmo a viver.”
Gesulado Bufalino
(Que nome!!! Não dava pra deixar passar sem comentar!!! Minha nossa!!!)


Então é isso...


Dias fáceis e dias difíceis se intercalam entre si e duram períodos que nos parecem absolutamente imprevisíveis mas que, na verdade, são mais que previsíveis: são períodos de duração definidos por nós mesmos. Antecipados e prolongados conforme nossa ansiedade, instabilidade, nossas tentativas vãs e, eventualmente, “bem sucedidas” de planejamento. Tudo não passa da ilusão de que não temos controle algum.


A falta de controle é uma grandessíssima ilusão que criamos para podermos usar o controle que temos sobre tudo com o conforto de culpar ao "mundo" quando as coisas não saem como achamos ou gostaríamos que tivessem saído. Vivemos num mundo muito do "de verdade", mas então criamos fantásticos "mundos de Bob" a torto e a direita... E chamamos a tudo isso de realidade.




Seja lá o que estivermos vivendo, sempre nos parece interminável e definitivo, especialmente se for ruim. Chegar no peso ideal, encontrar a pessoa certa, passar num concurso, terminar um livro, entrar na academia, se entender com um familiar, arrumar o quarto! Coisinhas do dia a dia que parecem - mas não são, sabemos disso bonitinho - simplesmente impossíveis.


Um dia uma amiga me perguntou se eu sabia o que era não ter a opção de ter saúde. Ela está curada hoje de um câncer no cérebro. Não. A minha resposta é “eu não sei”, no sentido que ela perguntou. Eu sei o que é ter uma feridinha que não sara nunca, eu sei até o que é ter um fêmur quebrado e passar 90 dias engessada e um mês de cadeira de rodas... Mas não saber se vou ou não morrer (de câncer) eu não sei. Posso cair, bater a cabeça e morrer... mas o terrorismo de combater diariamente uma doença... isso não!


Então é difícil! Como não me policiar na frente dela, né? É como se eu “me adoecesse as vezes” e eu sinto um mega peso na consciência por fazer isso na frente dela, mais do que de qualquer outra pessoa!


É como se eu adoecesse minha alma algumas vezes... É a impressão que eu tenho. Mas não sei até que ponto tenho culpa da minha “própria enfermidade”. Não é como um tumor no cérebro, né? Minha alma adoece de melancolia! De vontades! De perguntas! De desejos! De ânsias...


“Dediquei-me a investigar o que é a vida, e não sei o porque ou para que ela existe.”
Severo Ochoa




Ontem antes de dormir decidi tipo... “reciclar” meu cérebro lendo um livro. Trocar os pensamentos... não é pensar outras coisas... é não pensar o que eu estava pensando. Foram 368 páginas das 21:30h às 2h. Por acaso no livro que eu li estava escrito que os pensamentos adoecem a alma e a alma adoece o corpo. Não que eu não “soubesse isso”. Meio óbvio, né? É preciso cuidado permanente... com o corpo e com a mente. Para não oprimir nem sobrecarregar a alma (demais).


Sim. A verdade, meu povo e minha pova, é que no final das contas, no frigir dos ovos, não tem pra quê se avexar! Muitas coisas, mas muitas mesmo, simplesmente são incompreensíveis. E tá tudo bem... tem bronca não. Ninguém precisar entendê-las anyway...



“Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia"
Ato I - Cena V, Hamlet, Shakespeare


terça-feira, 8 de novembro de 2011

O passado, a bagagem que se carrega e um papinho com a consciência...



Muita água passa debaixo da ponte da vida.

Um monte de decisões são tomadas no grito... outras tantas na pressão...

Tanta coisa na vida que é mais uma questão de ceder do que de refletir...

Não é só quem aceita algo que cede. Muitas vezes, quem pede também cede. Acaba cedendo à pressão de pedir. É diferente ser pressionado a pedir de se pressionado a aceitar. Será mais fácil resistir à pressão de pedir do que a de aceitar? Penso eu que sim... ao menos como regra...

E as escolhas que são feitas pelas pessoas ao nosso redor e que nós, por não concordamos com elas, ou porque achamos que poderia ter sido feito de modo melhor, ou sei lá porque - afinal, somos, cada um de nós, os caras mais espertos do mundo e o outro nunca enxerga tão bem quanto nós - temos a presunção de olhar esse alguém e pensar que a escolha que este alguém fez não combina com ele?

Ora... quantas vezes a sua escolha, a minha escolha também não "descombinou" da gente? Seja de fazer, deixar de fazer ou continuar fazendo?! E ainda assim não fizemos como quisemos?! E no lugar daquela pessoa teríamos feito diferente? Teimamos em achar que não e provavelmente estamos certos - e provavelmente estamos errados.



Estamos certos porque se nós fôssemos como nós mesmos somos,  e estivéssemos na posição do outro no momento em que ele decidiu, escolheu, pediu ou aceitou, agiríamos conforme nosso atual gosto/entendimento/vontade. Ou seja, faríamos como achamos hoje que faríamos, que é diferente do que ele fez. se discordamos dele, então é "melhor do que ele fez". Hãnm! Mas e, se concordamos com ele, (aaahh tá...) então faríamos igual ele fez.

Estamos errados porque se nós fôssemos como o outro no lugar do outro e estivéssemos na posição do outro, então, evidentemente, repetiríamos suas escolhas. Ponto.

Imaginemos a aproximação entre duas pessoas. Primeiro: o que determina a aproximação? Uma das partes teria que se interessar, certo? Pelo menos!!!

Normalmente o homem realiza o primeiro assédio. Este "assédio" pode ocorrer de um milhão de meios diferentes... Um bem difícil de resistir é aquele que é delicado, educado, persistente, eloquente, decidido. Decidido, porém paciente... Este já traz explícita suas intenções: "Daqui eu não arredo o pé sem conquistar você. Não basta ficar com você, preciso da conquista, do pacote!". Existe aquele assédio fajutinho... bem fugaz: "eu não tô fazendo nada, você também..." Existe o assédio nojentinho... do tipo "aproveita essa chance que um raio não cai duas vezes na mesma árvore (afinal, eu sou o cara!)". Existe o assédio tímido: "se você quiser eu quero". Existe o assédio duvidoso: "não era isso o que você queria?". Existe o assédio confiante: "vamo ou bora?". O romântico: "Finalmente te encontrei (você é minha metade perdida...)!". O apaixonado-exagerado: "É que eu não sei viver sem você". O aventureiro: "Ué, vamos ver no que é que dá!" .. Enfim!!!

O que acontece é que quando o assédio não é assim... uma brastemp, mas mesmo assim "cola" e ainda se prolonga, ainda que minimamente... existe uma séria probabilidade, pra não falar em "risco", de que o assediador se transforme em assediado. E o assédio ao assediador sempre será, no mínimo, persistente: "Você vai me pedir o que eu quero que você me peça, e eu vou esperar bem aqui na sua frente de braços cruzados... não se apresse... take your time."




E o que vocês acham que acontece? Eles pedem o que elas querem que eles peçam. Na maioria das vezes...

Então!? Onde está o quê da questão? Na escolha que iniciou tudo, talvez? Esta é uma das engrenagens do mundo e da vida em sociedade, certo? O homem deve fazer o que se espera, e se espera dele que ele seja caçador! O homem-macho! Machón!

Eu seeeeeeeeeeeei! Santa pacieêeeencia!!! (Suspiiiiiro)

Meninas! Aqui quero abrir um parêntese. Será que esse texto está meio machista? Uga Uga? Huuuum... Eu confesso que sou meio machista mesmo... sabem? Não sou partidária daquela lambisgóia que queimou o soutien. Mas, evidentemente, ter direitos têm vantagens.... Não estou discutindo isso. É só que eu quero acreditar (por favor, me deixeeeem! por favor, por favor, por favooor!) que ainda não preciso escrever que a mulher vai assediar o cara como se fosse sempre assim. E sabem aquilo que dá jacaré e lobisomem, né? kkkkk Deixa quieto! Vamos falar do tradicional, romântico e fofinho... conforme manda o figurino. Já basta aceitar os patifes e cafajestes no mundo, já basta saber da piriguetagem "cumenu solta". Deixa eu escrever sem pressão, que essa é a escolha que eu faço ;).

Falando em escolhas... há uma escolha "ali". Uma escolha de alvo no tal do assédio inicial, digamos assim. Bem, sendo franca, essa escolha existe apenas "relativamente" e relativamente se relativiza no caso a caso.

Alguns têm maaaais, outros nem taaaanta... outros talvez não a tenham realmente. Tudo depende de você saber "medir o seu alcance" e isto depende de, basicamente, se ter um espelho em casa e de saber fazer um uso coerente e sábio dele.

Mas em geral há uma escolha de alvo. Nada mais lindo pro sapo do que a sapinha, nem mais bonito pro macaco do que a macaquinha, né não?! Então pronto! Fechou!

E dentro os alvos, temos os alvos fáceis e os alvos difíceis.

E existiria uma regra na seleção dos "alvos"? E este é só um nominho didático, hãm? Não estou sendo desrespeitosa com as meninas, ok?! Mas enfim... Eles dizem que existe uma regra sim, um parâmetro, mas é a maioooooor mentira deslavada! Não é o sorriso que conta? Ou o humor? Ou a inteligência? Ou o caráter? E por que a variação? Hein? Hein? Heeein?! Sabe? Aaafe!!! Porque não existe parâmetro coisa nenhuma! Por isso!!! É muuuuito irritante! Pode até existir um certo "ideal" que é reiteradamente deixado de lado, ignorado, relativizado, em nome de Deus sabe lá o quê! Já vi vários casos de meninos que preferem uma menina assim-assim-assado, mas cujas ex-namoradas são todas assado-assado-assim! Ninguém entende nada!

Resumindo, a inexistência de um parâmetro por pura impossibilidade de ser (existir) é irritaaaaaaaante! Mas como brigar pelo que é imbrigável? Como comparar o que não se compara... ??? Ora, duas pessoas não podem ser comparadas!

E por isso a minha brilhante, luminosa, esplendorosa, genial conclusão é de que o passado amoroso alheio é um cocô!!!!  Afeeeee! Principalmente se o "alheio" está com a gente, né? Hunfp!

Se presente é sinônimo de dádiva... passado é sinônimo de quêêêê? Aaarrrgh!!!!

E como tachá-lo - esculhambá-lo, xingá-lo - se ele (passado) carrega tudo do outro que queremos esquecer - e tanto de nós (que náo podemos esquecer) - mas ainda o próprio DNA daquilo que nos constitui? Somos o nosso passado!!! Como odiar a nós mesmos dessa forma?

Somos o resultado do que vivemos, do que escolhemos, do que aprendemos, do que perdemos, ganhamos, sofremos, experimentamos!!! 



Passado é bagagem. Bagagem cujo conteúdo todo é valioso. E, entretanto, por mais que nos seja caro, não há como ignorar seu peso sobre nós. O passado pesa. É feito de matéria densa, maciça.

E se o futuro é a projeção do hoje amanhã, e o hoje é a construção do futuro-passado... o que isto faz de uma pessoa se não 99% de passado? A soma do passado, do futuro-passado e da projeção-do-futuro-passado? Somos um monte de passados sobrepostos... o passado que já vivemos e o que iremos viver.

E se mal conseguimos lidar com o nosso passado, imaginem o passado do outro! O passado, especialmente para quem o compreende, é muito a absorver.

Que vida simples e feliz têm aqueles que dizem que "quem vive de passado é museu"... É que quem não vive de passado, não vive! Quem não vive de passado apenas existe no presente. Quem não vive de passado não entende de história, de lições, de bagagens. Quem não carrega bagagens não é desprendido, é pobre! A bagagem que o passado traz é aquela que traduz quem somos... se nada temos de nós mesmos a transportar do hoje para o amanhã, nada fizemos, nada aprendemos, nada somos.

Sim. Vivo de passado. E vivo de passado porque vivo. Porque tenho muito de mim para transportar.... nem tudo me agrada, mas nem tudo me desagrada. E assim eu sigo, eu e o meu passado que a cada dia cresce, porque a cada dia, cresço eu.

E disso eu concluo (tcham tcham tchaaaaaaam!) que amar uma pessoa é fácil. Muito fácil.

Mas continuar a amar uma pessoa é que não é. Aí o negócio aperta. Continuar amando uma pessoa, no matter what, aí é difícil. Difícil pra chuchu.




Continuar amando uma pessoa é coisa de ninja mesmo! Tem que ter muita disposição. Quando a gente sabe que alguém nos ama desse jeito, assim... no "modo" continuado... Ihhh! Dá muita segurança, né? Acho que é tipo amor de mãe. Sabem?! Pra vocês terem uma ideia de como é difícil um amor assim... que keep going.

Continuar a amar uma pessoa significa carregar junto com ela o seu passado... E passado, já sabem, né? É fardo que continua a crescer diariamente, que pesa mais e mais a cada dia e que, ao final da vida será tipo a carga de Atlas!

Continuar a amar uma pessoa significa deixar que ela carregue junto com você sua carga... Significa não poder fingir que a carga sobre seus ombros tem peso diferente daquele que ela, de fato, possui, porque mentir para si mesmo é fácil! Facinho, facinho.... Mas mentir para si mesmo diante dos olhos atentos do outro é impossííííííível. Aconselho nem tentar... sério mesmo.

Continuar amando alguém significa verdadeiramente assumir um fardo que não o seu próprio. Barra, viu? Significa não questionar as escolhas que o outro fez...  ou pelo menos não condená-lo nem se ressentir dele por elas.

E ainda maaaaaais difícil do que isto: significa aceitar a ajuda do outro com o nosso próprio fardo. Aceitar ajuda é uma coisa dificílima de fazer... Acho que poucas coisas são difíceis como esta.

Por isso encontramos tantos motivos para nos desgastar, desgostar... Aliás, não sei bem o que é "por isso": se inventamos os tais motivos para escaparmos de vivermos no mundo real, ainda que esta seja a mais compensatória experiência - imagino eu - ou se para criarmos tantas oportunidades quantas pudermos de testar a "fibra" daquela relação, pra ver se a bicha é forte mesmo, boa mesmo, se vai dar conta.

E nisso... falando em dar conta, nós não nos damos conta de que estamos é desgastando tudo! Feito onda do mar em falésia, sabem? O negócio é firme e resistente, mas aí ficamos jogando água demais, fora de hora... antes do tempo?! Que burrice!!! Não se trata, na verdade, de testar para prevenir o fim.... mas de antecipar o fim que poderia tardar!

As coisas dependem de nós mais do que gostamos de admitir. Mais do que nos damos crédito.

Sim... corre muita água debaixo da ponte da vida. Mas nem todas as coisas que são cedidas precisam ser simplesmente cedidas. Nem todas as coisas que são decidas precisam ser decididas "insatisfatoriamente".

Querem saber? As vezes fazer uma coisa "no grito" faz um bem danado!!! hahahaha Sim!!! E as vezes parar e pensar um pouco nos salva muita dor de cabeça. É preciso ter equilíbrio entre as escolhas. Não é fácil. Não... mas não é um bicho de sete cabeças... não é tão complicado quanto se pinta.


Quanto estivermos no fim desta existência, "ninguém" irá vir nos pedir uma prestação de contas. Nem Abba. Eu digo "ninguém" porque quero dizer ninguém além de nós mesmos. Você irá se pedir uma prestação de contas. Sua consciência não vai dar mole nem passar a mão na sua cabeça... ela vai dizer:



"Muito bem Fulano! Percorremos um longo caminho juntos, embora tantas vezes você tenha optado deliberadamente por me ignorar. Agora que o fim está próximo, você já não tem mais a mesma resistência que tinha a mim, não é mesmo? Será que perdeu a força, ou será que percebeu que é chegado o tempo de fazer um grande balanço? Será que não consegue resistir a mim, ou será que não quer, simplesmente? Resolveu me aceitar? Fulano... o que foi feito de todo o tempo que tivemos? Não espero que você tenha usado esse tempo com uma sabedoria que, à época, não possuía... mas você foi feliz nesse tempo, Fulano? Você ao menos foi triste, então? Quer dizer... você USOU esse tempo, Fulano? Ou deixou que ele passasse em branco? Que bagagem carregaremos para a eternidade, Fulano? Não me diga que iremos chegar à eternidade com uma marmita vazia... Fulano... MIIIIIINTA pra mim! Me diga que será preciso um trem com muitos vagões, tantos que se perderão no horizonte para levar toda a bagagem do que você viveu! Me diga que nem todos os museus do mundo juntos ostentam tantos quadros quanto a parede da sua memória - repleta de lembranças! Fulano, me conte dos amores que teve... me diga 'Consciência, não amei muitas, amei muito. Amei a uma muitas vezes, amei muitas mulheres numa mesma mulher... e para ela fui todos os homens do mundo, para que sua vida fosse metade da completude que me proporcionou'. Me fale dos lugares que viu, dos sabores que provou, dos banhos de chuva! Fulano... me fale, por favor, do bem que fez e do mal que preveniu. Me faça uma oração fervorosa para me confortar agora, que estamos próximos do fim. Me diz da sua relação com Deus e me convence de que Ele é amor e bondade. Me fala que espera perdão por seus pensamentos e gestos equivocados e mesquinhos. Vamos tentar perdoar a você juntos, nós dois. Se você realmente quiser ser perdoado, eu o perdoarei. Vou lhe contar um segredo: Deus não perdoa ninguém.... porque não se ofende com nada que façamos... Ele é só amor. Sabe, Fulano... o perdão que você precisa angariar é o seu. É o meu. Minhas condições para dar-lhe o perdão são poucas e claras: há de ter usado o seu tempo, ainda, por vezes, das piores formas!... há de ter feito algum bem, evitado algum mal... há de ter amado e se deixado amar... há de ter orado para que eu saiba que lembrou de Deus ao menos um pouco, já que Ele lembra de você constantemente... há que ter sido criança enquanto adulto... há que estar saindo da vida com uma bagagem maior do que aquela que entrou. Não quero chegar à eternidade e passar vergonha vendo as suas mãos no bolso! É preciso que leve ao menos uma trouxa! Fulano... vou dizer uma coisa... sei que muitas vezes você duvidou de si mesmo, e por isso teve exatamente a vida que mereceu, mas eu nunca duvidei, nem por um instante. Nada é impossível para quem acredita."





"Amei, fui amado, o sol acariciou-me o rosto. Vida, não me deves nada! Vida, estamos quites!" 
Amado Nervo


Prestadas as contas com a consciência, cada um terá, também, o fim de vida que merecer... assim como teve a vida que mereceu. Ainda aí, escolhas poderão ser feitas: sóbrias e malucas... é preciso decidir, depois de tudo isso, quais as que estão faltando pra você.

Então é isso. No final das contas o bem mais escasso é o tempo. Por isso é tão valioso. É impagável, irrecuperável, inestimável.  Cada dia perdido, cada instante perdido... é exatamente isso: perdido.

Um segundo e uma eternidade se misturam num mesmo momento que passa e não volta, mas irá acompanhar alguém por toda a vida. Imaginem por toda a vida reviver um instante que tem o peso de uma eternidade... agora imaginem que delícia se o que você fez naquele instante foi bom! E imaginem que difícil se foi ruim... Mas sabem o que é pior? Imaginem se foi um instante perdido... um instante não-vivido... uma escolha não-feita!? É enlouquecedor. Na dúvida, não resta dúvida. Faça, faça para arrepender-se de ter feito. Arrepender-se de não ter feito é excruciante.

As vezes temos absoluta certeza de algo. Queremos aquilo. É a resposta à nossa busca. Mas, então, hesitamos. Resolvemos aguardar o momento certo. Talvez o momento certo chegue em breve. Talvez a gente perceba que não existe momento certo e aí decidamos agir, mas aí teremos apenas perdido um tempo valioso de estarmos vivendo algo que já desejávamos e já sabíamos e já havíamos encontrado! Talvez aconteça algo inesperado e não possamos mais viver aquilo que estávamos "reservando" para viver no momento certo... Talvez estejamos enganados e não tenhamos encontrado o que buscávamos, e perdamos a oportunidade de viver algo muito muito muito bom, mas que era diferente do que planejamos. Pras cucuias com os planos! Planos! Plano é aquilo que fazemos enquanto a nossa vida REAL já está acontecendo conosco. E deixamos de vivê-la! Deixamos de vivê-la plenamente... ou até vivemos tudo e é tudo muito bom, mas é MENOS do que poderíamos ter tido!

E lá vem eu com Shakespeare: "Nossas dúvidas são traidoras porque nos fazem perder o bem que poderíamos ganhar, não fosse o medo de arriscar."

Mas prestaremos conta disso, não esqueçam. A nós mesmos. Nossos piores carrascos. À nossa consciência, verduga cruelmente benevolente, e benevolentemente cruel.

O passado é um fardo pesado de se carregar. Sim. Mas se tenho que carregá-lo, que esteja cheio de coisas que vivi, e não de coisas que deixei de viver.




Eu Quero Ser Feliz Agora

Oswaldo Montenegro
Se alguém disser pra você não cantar
Deixar seu sonho ali pra uma outra hora
Que a segurança exige medo
Que quem tem medo Deus adora
Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora
Que você volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora...
Eu quero ser feliz AGORA
Se alguém vier com papo perigoso de dizer que é preciso paciência pra viver.
Que andando ali quieto
Comportado, limitado
Só coitado, você não vai se perder
Que manso imitando uma boiada, você vai boca fechada pro curral sem merecer
Que Deus só manda ajuda a quem se ferre, e quando o guarda-chuva emperra certamente vai chover.
Se joga na primeira ousadia, que tá pra nascer o dia do futuro que te adora.
E bota o microfone na lapela, olha pra vida e diz pra ela...
Eu quero ser feliz AGORA
Se alguém disser pra você não cantar
Deixar seu sonho ali pra uma outra hora
Que a segurança exige medo
E que quem tem medo Deus adora
Se alguém disser pra você não dançar
Que nessa festa você tá de fora, que volte pro rebanho.
Não acredite, grite, sem demora...
Eu quero ser feliz AGORA


http://www.youtube.com/watch?v=38PTGnf85SI


;)



(em homenagem a Isabel Luísa e Marden Rosa)