segunda-feira, 16 de julho de 2012

O superherói que há em você e essa tal auto-sabotagem.


"Felicidade é estar de acordo consigo mesmo".
Luis Buñel



Eu, você, todos nós e cada um de nós somos pessoas excepcionais. Fantásticas. Master mega blaster ultra power jason jobster wong crazy wow!



Temos algo que nos torna únicos no meio da multidão, especiais, distintos e insubstituíveis. Dignos de muito amor e de muita felicidade.

Sim, somos iguais. Não somos melhores que ninguém. Mas também sim, somos todos diferentes. Merecemos atenção, afeto e reconhecimento. Merecemos sermos amados e valorizados e temos também que entregar ao outro esse nosso tesouro, nosso "elixir" secreto, essa nossa "coisa" que depois que ele - o outro - provar, entenderá o quanto somos especiais e irá nos olhar como criaturas inigualáveis. É como disse a raposa, no Pequeno Príncipe, "quando cativas alguém, te tornas único no mundo para ele, e ele único no mundo para ti".

E isso é com mãe, pai, irmão, amigo, vizinho, professora, babá, namorado, sogra, com todo mundo. Cativar é exercício contínuo.



Tudo muito bem, muito bom... E aí a gente se decepciona, se ressente, se encabrunha. Claro! Porque faz parte. É natural... é decorrência de estar vivo, de respirar. Não é banal, nem devemos ser indiferentes a isto. Só que irá acontecer.

E aí vem aquela velha história: o importante não é o que acontece a você, é o que acontece com você quando algo acontece com você. Isto é, é como você irá sair destas experiências, sejam negativas e até sejam positivas.

Dizem que "cachorro mordido de cobra tem medo de pau".



Tem uns que não. Mas deviam. E tem uns que sim... mas também é demais... putz! É só um pau! Entende? Uma experiência ruim deve deixar a pessoa mais ressabiada? Beleza? Mas não deve impedí-la de viver. Pelo menos de navegar.. hahahahaha "Navegar é preciso, viver não é preciso..."

Por que estou escrevendo hoje? Estava pensando... eu sou um "cachorro" meio sem noção. Teve ocasiões na minha vida nas quais pensei: "não preciso passar por isso", "não vou mais passar por isso", "se isso voltar a me acontecer eu vaso!" hahahahaha E o que eu fiz quando voltou a me acontecer? Nada. Fiquei lá.. vendo se a cobra ia picar mesmo... se não era um pau.

Então resolvi escrever. Escrever sobre as oportunidades que temos de sermos felizes. De sermos queridos, de conquistarmos coisas boas. Sobre o tanto de pessoas com as quais cruzamos nas nossas vidas que querem a nossa felicidade, o nosso sucesso, o nosso amor. Resolvi escrever sobre isso para mim e para vocês, para que pensemos sobre isso um pouco. Para que tenhamos um pouco de consciência a respeito da infinidade de oportunidades que Abba põe em nossas frentes de que toquemos o céu.

Por que tantas vezes viramos as costas a tantas destas coisas para insistir naquilo que não é tão bom? Naquilo que não é tão possível? Não que seja ruim. Não que seja mau. Mas não está ao nosso alcance e nós sabemos. Mas queremos insistir no que não é nosso, no que não podemos ter. Deixamos de aproveitar oportunidades reais, de buscar coisas palpáveis, e pra quê? Pra insistir em "possibilidades" cujos resultados, sendo francos, já vislumbramos. Não. Para nos sentirmos insuficientes, falhos, fracassados. E nós somos excepcionais! Somos fantásticos. Somos milagres.

Sabotagem. Auto-sabotagem. Chega.

Nascemos para sermos felizes. Não digo plenamente felizes. Mas felizes. Placidamente felizes. Regularmente felizes. E isso não é muito mais do que poderíamos pedir? E não é mais do que muitos temos? E não é exatamente o que buscamos? E por que a sabotagem? Por que sistematicamente abrir mão disso? Por que acordar triste pela manhã sentindo falta de algo que não se sabe nomear? Uma saudade estranha?


Pois é possível nomear. Saudade de sentir-se feliz. De encontrar-se em si mesmo. De não estar se ferindo em sabotar o próprio espírito. Chega! Todo mundo já foi feliz assim, sem estar ferindo a si mesmo, e sabe do que estou falando. Todo mundo já acordou um dia se sentindo estranhamente feliz... inexplicavelmente bem... rindo à toa! Tão boooom! Uma sensação de "fazer parte"... de que ia ficar tudo bem. E por que a maior parte da nossa vida tem que ser o contrário disso?

Se um dia você jurou que não iria mais se submeter a uma situação de tristeza desmerecida. Se não ia mais esperar pelo que não vem... Procure se lebrar quando for necessário e cumpra com o prometido! Eu sei o que é isso. E sei que é difícil. Aaah se sei! Porque sempre achamos que iremos entortar o ferro. Que iremos vencer os desafios. Somos ninja! Mas a questão é exatamente essa: não precisamos disso. Não é mais gostoso assim. Não é mais bonito assim. Não tem mais mérito assim. Assim só dói mais e funciona menos. Só.

Os sentimentos, as companhias, os reconhecimentos... devem ser espontâneos. Assim que é bom. Assim que faz bem! Quando é sossegado, fácil, natural, beleza da creuza. Paremos de nos enganar. De PERDER tempo. De ser bobos, trouxas. A melhor hora para ser feliz? Agora! Ontem! Já!

Sorrir! Amar! Estar perto! Ter certeza! Segurança! Fé! Companheirismo! Amizade! Entendimento! Que delícia!


Vinícius de Moraes disse: "amigos não encontramos, reconhecemos". E se isso é a mais pura verdade com os amigos... que são uma espécie de amor, imagine com o amor-amor, que é outro amor... não precisa fazer ginástica, nem subir montanha, nem ter paciência.. precisa mesmo É DE TER. Quem não tem, não tem e pronto. Aceite e siga sua vida. É fácil? Não! Não é. Mas é inteligente. E por que tanta gente inteligente fica tão estúpida nessa hora? Não sei. Eu também! Por que achamos sempre, em tudo na vida, "que comigo vai ser diferente"? Mas NÃO vai! "Eu não vou sofrer acidente", "Eu não vou tirar zero na prova", "Meus pais não vão morrer", "Meu coração não vai partir", "Eu, ele vai aprender a amar", "A mim ela não vai trair"... Meeeeeeeeu amigo!!!!

E o que isso muda? Nada. Porque ninguém é especial nesse sentido que você quer. Você vai sofrer um acidente se beber, vai tirar zero se não estudar, seus pais vão morrer, ele vai quebrar seu coração porque ele gosta dela, ela vai te chifrar porque ela chifrou todos os outros. É a VIDA. Com você não é diferente porque você não tem o poder de mudar o outro nem de mudar a ordem natural das coisas...  Lei da ação e reação.
Nós temos que mudar o que depende de nós. Ninguém muda o outro. Quer mudar o mundo? Muda naquilo que depende de você... Ao seu redor! O seu mundo! O outro não é o seu mundo. Hel-low! Sacou? Claro que você consegue, afinal você é uma pessoa fantástica! Lembra? Você é o Cara! Filho ou filha do Cara! Irmão ou irmã do Cara.. de J.C... Jesus Man! Bota quente e mostra que você não veio no mundo a passeio. Toma as rédeas da sua vida e vá ser feliz agora! Right now! Yes U Can. Obama pôde, todo mundo pode! hhuahuahuahuahua

Você pode passar num concurso, na OAB, se curar de um câncer, encontrar o amor da sua vida, ter a casa dos seus sonhos, o emprego que você merece, o corpo que você sonha, TV a cabo! hahahaha SIM! Tudo isso e muito mais! Terminar a monografia, ser ministro do STJ, mudar de cidade, ter filhos, comprar um cachorro, viajar o mundo! Quer? Começa agora. Mexe o seu popozão! Parado é que não dá! Estuda, termina esse relacionado frustrado, trabalha duro, joga na megasena. vai correr, malhar, enfim! Dá duro, mermão, que as coisas não caem do céu! Pare de se sabotar pelo amor de DEEEEUSSS! Corre atrás que "o que é do homem o bicho não come". O que é seu está guardado, mas vai ficar guardado, a menos que você vá lá buscar! Não vem numa bandeja não... nem cai do céu. E se fosse assim, bááá! Se fosse assim a gente sabe bem, né? O ditado não é "de graça até bilhete premiado"... ninguém fala bem do que é de graça. Go and get it, baby!


Tem que dar duro! Rebolar! Meter a cara! Sair da zona de conforto... tem que dar o sangue, e enxugar o suor... não é só beber a cerveja.



A vida é bela. É MARA! O céu é azul, temos água, comida, energia. Saúde? Nem todos temos o tanto que gostaríamos, mas temos que baste para corrermos atrás! Dinheiro? Nem todos temos o tanto que gostaríamos, mas temos suficiente que baste para multiplicarmos se batalharmos. Amor? Podemos não ter de quem queríamos ou tanto quanto achemos (ou de fato) mereçamos, mas existe um mudo de gente aí disposta a nos dar amor e, no entanto, estamos fechados, esperando por quem já sabemos que não tem disposição... quem está errado: quem não nos ama ou nós? Sucesso? É um investimento! Estudos, trabalho, dinheiro, viagens, TV a cabo, casa, carro novo? Nada disso cai do céu! Tô falando alguma novidade? Não é como se eu fosse uma "gênia" e tivesse descoberto um novo continente ou a antimatéria!!!


Sabe? Ninguém NUNCA disse que era fácil. É difícil pra caray. Maaas, quando não desistimos... PUTZ! Coooomo vale a pena. É a diferença entre estar vivo e viver.

Esses dias uma pessoa me perguntou se eu gosto de viver. Bom. Eu respondi que depende. Hahahahaha E aí essa pessoa sorriu e disse que desistia. A verdade é que "estar vivo" é legalzinho. Sabe? Depende bastante do que a pessoa acredita também... mas para estar vivo ser massa, viver tem que ser muito bom. Eu gosto de viver. Sim. Só que a verdadeira pergunta que ele estava me fazendo, naquele contexto, era se eu gosto de estar viva... aí que depende. De viver eu gosto pra cacete! E aí? Eu tenho vivido? Huuuum. Menos do que um dia... sabem? Me dei conta disso. Tô vivendo menos. Viver e ser feliz estão bem próximos, sabem? Viver, meramente tentar viver, faz a gente feliz. E quando se vive, é bom estar vivo. Estar vivo te proporciona viver. Senão, tudo não passa de existir... e existir... não tem graça nenhuma. Uma pedra existe, e um copo, e uma flor. Existe beleza, existe propósito, mas não existe "joy". Pode até existir "vida", mas, e Abba me perdoe, eu sou ambiciosa demais para existir: eu quero extrair e espalhar felicidade.... pode até ser sem propósito.

E eu tô falando isso porque aplico todos esses conceitos revolucionários à minha vida? NÃO! Estou falando porque: primeiro!!! Falar alivia dores emocionais.. já dizia o velho, bom e disgramado do Shakespeare. Segundo... porque parece que a gente esquece esses trens de vez em quando. Já que ninguém vem, me bate na cara e me fala essas coisas, eu mesma me falo, que é meio que uma tapa de luva de pelica... se bem que eu precisava mesmo era de uma marretada na cabeça com uma barra de ferro cravada de prego enferrujado! Trem que não aprende nunca, eu!!! Afeeee! Bichinha mais teimosa! Cabeça dura... bicuda, bocó!


Quantas vezes tomei a resolução de não insistir no que não vale a pena e não me faz feliz? Nem sei! Perdi as contas! E quantas vezes insisti mesmo assim? Ráááaáá´! Paciência! Não sou menos linda maravilhosa mega power blaster extra plus por causa disso. Sou apenas humana. Isso pressupõe lerdesa e necessidade de apanhar na cara mesmo! hehehehehe E lá vamos nós! "Abençoados por Deus e bonitos por natureza, mas que beleza, em fevereiro tem carnaval... Eu posso não ser um band leader, pois é, mas assim mesmo lá em casa todos meus amigos, meus camaradinhas me respeitam, pois é, essa é a razão da simpatia do poder, do algo mais e da alegria".

Pois muito bem. Estamos na metade de julho. E julho é a metade de 2012. O ano está voando, que é o que os anos fazem: eles voam. E nós estamos fazendo o que? Nada. E não é nadando (o que os peixes fazem), é nadando do verbo fazer NADA mesmo, que é o que as pessoas lerdas e tapadas fazem.



Bom. Tudo muito lindo (cof, cof), muito bem (cof, cof, cof), mas é hora de ACORDAR! Acordar pra J.C. - Jesus Cristo da Silva, acordar pra cuspir, acordar pra bater e até para apanhar. A-cor-dar!

Dá tempo de um monte de coisa. Sabe? De correr atrás! O passo número um é assumir o que é que queremos... ou pelo menos o que não queremos? Quais são as coisas das quais não abrimos mão por mera conveniência, mas que sabemos que não nos fazem bem? No que estamos nadando contra a maré e precisamos abrir mão para começar a ser felizes? As vezes insistir naquilo que sabemos que não é para ser nosso é muita perda de tempo... tempo que poderíamos estar descobrindo coisas novas, conhecendo pessoas, NOS conhecendo, NOS curtindo! Ora, se você não se curte, prefere ficar insistindo numa circunstância na qual não está sendo valorizado, está enviando uma mensagem ao Universo de que não vale a pena te curtir, investir em você: nem você mesmo se curte! Prefere ficar perdendo tempo. Sacou? Campanha de combate à auto-sabotagem! Right Now! Right Here! Presta atenção ao leriado, saca só : tão me dando valor? BEM! Não tão? AMÉM! Beijo e não me liga!

É fácil? Não!!!! É flórida! Complicado demais... E a gente escolhe do que gosta? E é fácil deixar o conhecido, o cômodo? Nããããooooo! oh God! Huum... E valer a pena? Vale a pena? Sim. Oh yes!  Como tudo que é difícil.



Não dá pra sair assim, mudar assim... no grito? Beleza. É justo.Vai se preparando. Se imunizando. Pensa nas vantagens da sua nova vida. Nas coisas boas que te esperam... em tudo aquilo que você está abrindo mão hoje e que não vai mais precisar deixar de fazer depois... nas pessoas que não está conhecendo, nas viagens que não está fazendo, no tempo que não está dedicando a você... isso fortalece muito a pessoa. Pense daqui a cinco anos. Três anos. Pense como as perspectivas melhoram quando você toma uma atitude pro seu bem! Pense como elas melhoram mais rápido quando você toma uma atitude mais rápido... porque as mudanças chegam antes! Mudanças boas. Pense que irá malhar e ficar saradones... pense que fará amizades, que sempre existem sensações a serem vividas...  Sim, você está se privando de coisas também. Se privar é válido, desde que você esteja feliz. Não está? Então não vale. Fomos feitos para sermos felizes. FELIZES.

Então vai lá, levanta, sacode a poeira e comece hoje mesmo o resto da sua vida. Depois se você esquecer, se vocês esquecerem ou se eu esquecer e começarmos a fazer asneiras outra vez... no problems: vamos tuuuuuuudo de novo... E tantas vezes quantas forem necessárias para que viver valha a pena. Né não?

A gente merece e a gente há de ser feliz, amado, surpreendido positivamente. Basta tomar essa decisão. Isso não é sorte, é uma decisão.




"Você nunca será feliz se continuar buscando saber em que consiste a felicidade; você nunca viverá se continuar buscando o sentido da vida."
Albert Camus



Nem quero mais ter razão! Mané ter razão! hahahahahaha Quero ser feliz. Até dizem que eu me acho a dona da verdade e eu respondo (rsrsrsrs): "Não tenho culpa se estou sempre certa... não é de propósito" Falta eu dizer que preferia mil vezes estar errada e viver FELIZ FELIZ FELIZ igual pinto no lixo.

Você sabem que Abba é muito meu chapa. O melhor pai que eu poderia ter. E Ele sempre quebra meus galhos e cuida tão bem de mim que até me deixa meio mimada. Não posso reclamar. Tenho uma vida muito privilegiada e estou em muitas coisas num momento muito abençoado. Agora é só extrair desse meu momento todas as alegrias e oportunidades que ele me propicia. Principalmente estudando e cuidando da minha saúde. Mente e espírito. O resto vem muito em consequência. A gente tem que parar com essa mania feia de não se cuidar e, como se não bastasse, detonar o emocional com pensamentos e atitudes que não nos levam pra frente. FALA SÉRIO! Se entre você e a sua felicidade IMEDIATA falta uma atitude SUA, então de quem é a culpa por você não estar feliz? De Fulano que não é! Capisce? Para de ser besta! kkkkkk

Se as coisas (ainda) não são como deveriam, se não são perfeitas... tá tudo bem. Tá tudo bem mesmo. Viu? Tudo bem. Eeeei! Tudo bem. Fica numa boa. Ninguém precisa ser perfeito. Ninguém precisa ganhar um Pulitzer nem um Nobel. Tá tudo beeeem. Estamos aqui. Cada dia é uma nova oportunidade. Não deu hoje? Tem amanhã... tem depois.. tem depois. Um ano é pouco? E 10? E 50? E 80? A melhor hora? É a sua. Tudo a seu momento. SEU momento. Não o MEU, o SEU. Então sinta-se bem. Respire, se reconcilie consigo mesmo. Sinta-se grato. Simplesmente grato. Pelo que? Pelo tempo. Pelo ar. Pelos dias. Pela oportunidade de estar aqui e de fazer com essa "estadia", com a sua vida, o que quiser. E então, considere a ideia de pensar em ser feliz.


Então, é isso! Sinta-se linda ou lindo. Esperta ou esperto. Abençoada ou abençoado. Feliz! Porque você é! Sim! SIIIIIIM! A diferença, muitas vezes, entre vivenciarmos ou não uma sensação é, simplesmente, nos darmos conta. A distância é um mero pensamento. No mais: não "nademos". Andemos, corramos, nos arrastemos, mas chega de nadar. Ser heróis - e lá vem Shakespeare novamente - não é ter um superpoder, é fazer o que é preciso ser feito, enfrentando as consequências. Cresçamos! Sejamos os nossos heróis. Nos salvemos. Esperar pelo outro não vai resolver. Superman, mulher maravilha ou lanterna verde, cada um tem sua vida para cuidar.


Existe um herói em você (por incrível que pareça?). E existe um vilão, que é danado pra conseguir aplicar o golpe dessa tal auto-sabotagem. Ainda bem que dizem que, no final, o bem sempre vence o mal. Se não venceu ainda, é porque não chegou no final.




"A liberdade não existe, mas a busca pela felicidade sim, e é esta busca que nos faz livres."
Carlos Fuentes



sexta-feira, 13 de abril de 2012

É mais ou menos assim...



A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.


A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.


A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...

TUDOBEM!


O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...


É amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.


Senão a gente corre o risco de nos tornarmos uma pessoa mais ou menos.


Por Chico Xavier

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Superexigir...



“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

(Clarisse Linspector)

Soneto de Véspera

(Vina de Moraes)




Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No fim, todas as idéias de uma mente pensante se completam...

...só é preciso esperar que tomem forma uma a uma para que possam vir ao mundo fazer companhia às anteriores. 





É como um círculo que vai se fechando em seu devido tempo. 
Creio eu...

LUZ, CÂMERA, AÇÃO!!! (Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuun!)


"O último dia do ano não é o último dia do tempo." 
Carlos Drummond de Andrade




10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... Gravando!!!


That's it! O ano de 2012 está valendo e não é possível fazer cortes, remakes ou edições. Ou você faz direito, ou você faz médio, ou você faz merda... ou você não fez e ficou por isso mesmo.

Isso porque o tempo, segundo Sêneca, é a única coisa que não se pode devolver. E não pode mesmo. Ele não volta. 


"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra." 
Mario Lago


"A vida toma muito tempo ao homem." 
Stanislaw Jerzy Lec
 


Mas será que para que algo novo comece é necessário que "outro algo" termine?

Estamos no início de 2012. Ano novo. Em parte é começo, em parte é continuação, em parte é fim. Acho que muitas vezes nas nossas vidas nos deparamos com momentos como esse - de (re)começo-, mas a diferença é que, ao contrário do início de um ano, esses momentos costumam ser mais sutis, menos impregnados de reflexões, esperanças, medos e expectativas.

Tive vontade de escrever um post no final do ano passado, mas por um motivo aqui outro acolá, nunca conseguia parar tempo suficiente (sempre o tempo!!!). Cheguei a começar a elaborá-lo mentalmente, como acontece com muitos posts, mas não posso dizer como seria porque geralmente minhas oficinas mentais geram protótipos muuuuito diferentes dos que coloco em exposição na minha galeria virtual chamada "blog".

Pensei que seria como uma carta para o Papai Noel: "Querido Papai Noel, É o seguinte..."


Nem bem o ano virou e esta carta já possui um apelo muito diferente ao meu coração daquele que teria há um mês! Tipo... há um mês eu não diria ao Papai Noel que precisava de uma injeção que fizesse a pessoa enxergar o mal que ela é capaz de fazer ao outro que ela deveria era cuidar (o que faz mal a ela também, né?)... ou de uma máquina de fazer dinheiro, mas não ilimitado, só uma quantia "x" pra dar pra uma pessoa pra ela não ficar com raiva nem brigar com outra por dinheiro... acho isso o fim do fim do final da picada. Muito triste.

Mas eu não sabia que ia precisar dessas coisas há um mês. E mesmo que soubesse, cadê a carta?!

A carta que nunca escrevi! Só uma cláusula pétrea da carta permanece igualmente importante pra mim: preciso que seja descoberto um pomar cheio de árvores, muitas árvores mesmo... e que estas árvores estejam abarrotadas de frutos e que estes frutos sejam repletos de sementes e que estas sementes carreguem a cura para o câncer. Preciso que todo mundo tenha acesso a estas sementes e que todos possam plantá-las em todos os lugares... e tê-las em casa nem que seja sob a forma de bonsai. 

"Querido Papai Noel, em tempo!"


É ok pedir algo que vai me beneficiar muitíssimo, se eu não tiver conseguido ainda ser a melhor pessoa que poderia ser? Preciso manter junto de mim uma pessoa importante, e preciso não me sentir mal sabendo que além de mim, todas as Dudas do mundo poderão manter junto de si pessoas importantes também. Sei que é muito egoísmo meu querer manter uma amizade especial junto de mim e, assim, evitar que ela vá encher de energia lá o céu... sei que é muito egoísmo não querer sentir remorso por ser beneficiada em detrimento de todo mundo... mas será que, considerando que existem muitas pessoas por aí que ficariam hiper mega felizes com essas sementes... não teria como quebrar meu galho? Será que é ser muito mala mencionar essas pessoas mais legais pra conseguir o meu presente de natal?

Aiii! Difícil demais ser uma pessoa boa boa boooa mesmo, né? 

Então!

Bom! A gente tem que tentar. É o mínimo que podemos fazer.

Dizem que a vida é cíclica. Daí porque sempre estaríamos num processo contínuo de existência e aprendizado. Estamos vivendo o resultado das escolhas que fizemos e também das que deixamos de fazer. Estamos amadurecendo, cada um no seu ritmo, moral e intelectualmente. Estamos desbravando novos caminhos, ou perseverando nos caminhos em que nos encontrávamos, estamos andando em círculos, de lado ou até mesmo em marcha ré... Estamos seguindo, isto é, vindo "de" e indo "para".

A extensão desse ciclo? Ula-lá! Fica a critério da imaginação de cada um. A eternidade e a infinitude da alma humana são os possíveis "limites". Fica a dica...

Maaaas... contudo, entretanto, nada obstante... No decurso deste grande ciclo, desta grande jornada... muitas etapas se cumprem. É como o velho e batido jargão que fala que as vezes se perde a batalha, mas se vence a guerra (algo assim). Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

E, sim, as etapas podem - ou não - coincidir, por exemplo, com os anos. É como eu disse na frase que inaugurou o blog, né? De Carlos Drummond.

Então! Mas para algumas pessoas 2012 pode marcar o fim de uma etapa anterior e sinalizar o início de uma nova etapa. Por que não? E quantas etapas caberiam em um ano? Como mensurá-las? Quem ousaria limitá-las? Qual a relação entre o tempo e o viver? O tempo cronológico? Quanto de vida cabe em quanto de tempo? 

Vejam bem. Pode-se viver um "nada" de coisas em um "mundo" de tempo... e igualmente pode-se viver um "mundo" de coisas em um "nada" de tempo. Depende! Tudo depende!!!!


"Não adianta correr, precisa sair em tempo."
Aesop

Ontem estava pensando que as vezes, não sei se se requer modéstia ou falta de modéstia para tanto, me sinto meio Forrest. Forrest Gump, sabem? Tom Hanks? Do filme?





Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest, ruuuuuuuuun!


Run... "só mas um pouquinho!"

Nossa.

Esse pouquinho que mata!

Tive até a presunção de achar que a minha vida daria um filme muito do "assistível". Sim. Acho que daria.

Claro que seria muito mais legal se fosse o tipo de filme taxado como ação ou aventura ou até mesmo romance. Mas acho que não teria como escapar do drama.



Se tive uma vida emocionante?

É uma forma de se colocar... sem dúvida. Digamos que tive uma vida igual à de muita gente, mas acho que por trechos. Talvez isso aconteça muito e muitas pessoas tenham vidas que dariam filmes assistíveis... Só que foram muitos os trechos da minha vida - acredito eu, do alto da minha experiência de roteirista e diretora de cinema - que poderiam ser "scriptados", quer dizer... que seriam dignos de filmagem... sei lá! Tô viajando.

É que em tantas ocasiões aprendi coisas importantes ou vivi situações muito marcantes... ou cometi erros tremendos que acho importante que as pessoas vejam para que jamaaaaaaaaais repitam! Ou fui vítima de tais erros! Em tantas ocasiões banquei a boba... ou dei a mão para ajudar ao bobo. Ou tive que ser mais forte do que se acreditava que eu poderia (ou eu acreditava), ou achei que tinha que ser forte e não tinha coisa nenhuma... Mas foram momentos tão.. hum... dramáticos mesmo! kkkkkkk Enfim!!! É isso... Não sei se sofri mais do que DEVERIA, porque "sentimental eu sou, eu sou demais... e sei que sou assim porque assim ela me faz"... apesar de que acho que quando era mais nova era bem durona... fruto da síndrome de "provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém".

É que eu fui tão precoce. Mas tanto... que só depois de adulta, lá pelos meus vinte e poucos anos, fui ser criança. Fiquei com isso mal resolvido, mal vivido. Na quinta série o que eu mais gostava de fazer era ler sobre reforma agrária. hahahahaaha "Te meeeeeete!" Vê se tem cabimento uma coisa dessas? Pois é.

E falando em todas essas memórias, a Revista Super Interessante afirma que a vida é representada para nós como um conjunto delas (as memórias) já que o presente teria a duração científica de 3 segundos (Uuurrrraaaa!!!) e literalmente nós viveríamos de passado mesmo. É mole? Quem lembra que eu disse que é a maior besteira afirmar que "quem vive de passado é museu" porque todo mundo vive de passado meeeeeermo? Estão vendo??? hahahahaha

Nã nã nã nã nãaaannn! Estou cientificamente endossada! =)



A diferença é que a Super Interessante demonstra o quanto que nós manipulamos nossas memórias (Aaannnhããããm!!! Eu acredito nisso! Tem gente que só pode manipular mesmo pra afirmar com tanta veemência tanto absurdo!) e que podemos optar entre manipulá-las para o nosso bem ou para o mal. Optar também a respeito das memórias que queremos armazenar e até mesmo contribuir para a formação destas.Trocando em miúdos, a gente lembra do que quer, como quer, ressalvado o fato de que alguns eventos são mais propícios a serem armazenados no nosso HD.



Mas aqui estou eu divagando e me afastando um tantinho do tema do post... ai ai ai.

Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuuun!

Em alguns momentos estamos em franca corrida, né? Super running Forests... Alguém até já gritou o último "ruuuuuuuuuuun"... o fôlego tá no fim (Fôlego? Que fôlego?). E aí eu tento focar em Shakespeare: "E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais."

Noooosssaaa!!! Que raiva que dá de Shakespeare nessa hora!!!! "Mermão! Não posso suportar mais coisa nenhuma!!! Que saco!" Mas será? Será que não podemos? "Vou? Não vou? Vou? Não vou?"

E resolvemos correr só mais um pouquinho. Só até o próximo poste. Só mais 10 passos. Só outros 10. E quando nos damos conta... chegamos. E o infeliz do Shakespeare tinha razão. A disgrama! Mas a gente sabia, não sabia? Huuuum... saaaaaabia! Devia saber. Lá num fundo tão fundo que não dava nem pra ver, a gente sabiiiiiia.

Eapois!

Eu, pelo menos, entrei 2012 numa dúvida danada. Não sei se estou terminando ou se estou começando uma corrida. Ou será que as duas alternativas estão corretas? Afe! Duas corridas assim?! Canseira... Mas e o jeito?!

Me sinto tipo isso mesmo.

Embora sinta que estou saindo de uma corrida super difícil rumo à seguinte, tipo... a faixa de chegada da anterior é a largada da próxima (já pensou!?)... sei que não é bem beeem beeeem assim! Agora que - por sorte ou conveniência do destino - li a Super Interessante, descobri que isso ocorre porque meu cérebro registra só os eventos mais intensos, e o cansaço que me acomete nos últimos metros, sem sombras de dúvidas, são super intensos... e também a ansiedade que me tortura nos instantes pré maratona... afe.

Mas sei que tive meus breaks em 2011. Meus momentos ótimos. Minhas conquistas e coisas excepcionalmente boas que me aconteceram.

De todo modo. Hoje, agora, neste momento de my life é por aí mesmo: 2011 foi um ano DAQUELES... e 2012 tá começando DAQUELE jeito. Aí já viu, né??? E não é "privilégio" meu não, hein? Olho para os lados - os DOIS lados - e vejo companheiros de vida e de maratona... suando a camisa... SUAAAAAAAANDO a camisa... língua de fora... olhos esbugalhados e no olhar deles vejo estampadas as mesmas perguntas que me repito constantemente: Vai dar?! Eu dou conta?! E o mesmo medo inquietante de se descobrir - ou se ver descoberto - uma grandessíssima fraude... porque todo mundo DIZ que espera tanto deles e eles se acham capazes de tão menos. Ou será que secretamente as pessoas sabem que eles não aguentam e já se decepcionaram com o pouco que eles acreditam ter conquistado? Será? Será que tanto sacrifício não é mais para "conquistar" nem para "manter", mas para "recuperar"? 


E ao mesmo tempo que leio seus pensamentos, que na verdade é como se fossem aqueles lasers de filmes que se cruzam e se cortam pelo ar... nós é que corremos por entre eles... eles é que nos rasgam o corpo e a mente. Enquanto isso acontece, olho em seus rostos e só o que vejo é a determinação que vence o cansaço. Determinação que vence cansaço. Morreeeeeeendo... mas lutando. E sigo junto! Porque nos motivamos uns aos outros com nosso desespero heróico, heróico desespero. Não somos maratonistas que competem entre si pelo primeiro lugar. Não se trata de ganhar ou perder: mas de ganhar ou ganhar. Não existe classificação, existe linha de chegada e pronto.


E chegamos a 2012.


Mas espere!


Mal atravessamos a linha de chegada ouvimos um estampido! Pow! E já foi dada a largada!


Um cara sentado numa cadeirinha de madeira e panos pretos gritou "Silêncio no estúdio... GRAVANDO!" (eu sempre quis dizer isso). A claquete bateu e nem sequer havíamos parado por completo, seguimos.




Só se ouvia os corações batendo em ritmo de percussão.

O silêncio não era, ali, fruto de obediência, mas da ausência de palavras. Só a ausência de palavras é capaz de calar um homem. Tanto havia a ser dito que só restou o mutismo e as caras pasmas que corriam dando início ao ano de 2012.

E para o quê corremos?

Run Forest, run Forest, run Forest, run Forrest, ruuuuun!!!

De que corremos?

Por que corremos?

Em parte corremos em nome do processo de "dar continuidade". Aquela continuidade sobre a qual já falei. Não significa que não paremos nunca de correr e tenhamos um pouco de tempo para caminhar ou passear despreocupados... mas existem momentos e momentos. Enquanto estamos "aqui", em nossas missões de nos tornamos pessoas melhores, de servir ao próximo, sermos bons filhos de nossos pais (todos eles, TODOS...)... o tempo é intolerante e normalmente é preciso correr.

Muitas vezes, penso eu... corremos para fugir e para procurar... mesmo sabendo que são empreitadas insanas. Não se pode fugir de si mesmo e nem procurar longe de nós o que está dentro da gente. É nossa maior e mais constante contradição.

E corremos, muitos de nós, alguns não... nem sei, sendo honesta, se a maioria corre ou deixa quieto... porque queremos tentar. Queremos nos libertar. Queremos sair "dessa" melhores do que entramos. Queremos fazer uma diferença no mundo... Queremos que "os nossos" sintam orgulho de nós. Queremos chegar ao final do arco íris. Queremos acreditar que não é em vão. E precisamos provar nossa tese. Então corremos. Corremos até o fim, acreditando que haverá um fim. Ao menos o fim de uma grande etapa. Uma grande etapa que venha englobar todas estas etapinhas. E aí descansaremos sabendo que a guerra não terminou, mas a batalha está vencida. Talvez seja assim... Talvez venham as etapas, daí as batalhas... e um dia a guerra.

Guerra para que nos tornemos a melhor pessoa que podemos ser. Autoguerra. Win-win ou lose-lose situation. Depende só de se lutar.


É. Melhor se preparar... vestir armas e seguir.





Algumas coisas não dependem de nós.

Mas algumas coisas dependem!

Pelo menos não dependem de nós nós nóooos... eu ou você ou nossos vizinhos, colegas, familiares e amigos.

Meu pedido para Papai Noel, por exemplo.

Pode ser que alguém consiga (e não seja um duende no Polo Norte), ter uma ideia diferente com um resultado parecido. Quem sabe? Pode ser que aí... o que eu pedi dependa desse alguém. E então, será que eu não poderia dizer que a descoberta não seria como a linha de chegada para essa pessoa?



Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuun!!!!

Corremos.

Mantemos em mente nossas expectativas e esperanças. Sonhos e desejos. Tão secretos, algumas vezes tão, mas tãããão secretos, que escondemos até de nós mesmos. Fingimos que corremos por amor à pátria, sei lá!!! Mas estão lá. Imaginamos que um dia iremos nos deparar com uma linha de chegada diferente das anteriores. Imaginamos que iremos correr por pairagens mais verdes, mais azuis... Imaginamos que iremos beber águas mais saborosas e que matarão nossa sede por completo... Imaginamos que nos depararemos com tesouros perdidos, conhecimentos inesperados, pessoas inesquecíveis. Imaginamos que valerá a pena. Que as coisas ruins passarão... e as boas irão prevalecer. E que prevaleceremos nós.


Poeminho do Contra
(Mário Quitana)
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
(Prosa e Verso, 1978)


E começamos. E recomeçamos. De novo e novamente...

Não importa quantas vezes e não importa em que espaço(s) de tempo.

Dói. Confesso que dói. Ou pelo menos incomoda. Quando precisamos recomeçar de supetão. Reclamamos e nos sentimos injustiçados e acabrunhados. Sim...

As vezes achamos que a injustiça está em precisar nos recompormos em apenas 4, 6 ou 8 meses para começar tuuuuudo outra vez. "Pouxa vida!!! Com Fulano e Beltrano está tudo de vento em polpa há tanto tempo! Não estou querendo que ninguém se estrepe! Só estou querendo eu parar de me estrepar! Me aquietar... Curtir uma estabilidade."

Outras vezes achamos que injustiça mesmo é depois de 4, 6 ou 8 anos ter que começarmos tuuuudo outra vez. Quando estávamos tão habituados! "Pouxa vida! Não é justo alguém que se dedicou tanto a alguma coisa ter que recomeçar!" E sempre vai ter alguém há mais tempo que você que não passou pelo que você está passando... ou alguém que está a menos tempo que você... e que você acha que poderia passar por isso no seu lugar... Enfim!

Talvez nos falte confiança. Em Abba. Em nós. Talvez nos falte resignação. Talvez nos falte impulso mesmo... e então tudo muda e vira de ponta cabeça para que nos ponhamos a alçar novos vôos! Vai saber??? Etapas terminam. Etapas começam. E a vida? A vida continua.



Erguemos os olhos, silenciosos, correndo. Eu e meus colegas maratonistas. Respiramos pela boca, diminuímos os passos pois não sabemos o tamanho do percurso que nos aguarda e precisamos poupar energia.

Recuperados do susto com o disparo da largada a o grito do diretor que ecoou por meio do megafone, analisamos a pista de chão firme e rente à nossa frente e, desconfiados, olhamos para os lados.

Nos deparamos com um cenário novo. Novo como o ano novo. Novo como o desafio novo.

Por trás das nuvens que ainda deixam o dia nublado (o que é bom, porque nos protege do sol causticante) vislumbramos um azul que se anuncia. Observamos pessoas que torciam e torcem por nós, contentes com nossa chegada e esperançosas com nossa largada, sorrindo em encorajamento, algumas com os olhos marejados de emoção e afeto. Nos passam mais confiança do que desconfiança. Talvez não esperem nada de nós, ou tanto quanto pensamos ou esperamos nós mesmos. Talvez apenas esperem a nós... É um pensamento tão bom que temos dificuldade em mantê-lo.

É essa mania que temos de achar que "só" você não bastaria a ninguém. Que é preciso um "kit sucesso", "kit eu-venci-na-vida"... Sabemos que é bobagem, mas deliberadamente descartamos e negligenciamos a informação, nos confortando apenas secretamente com os corações acalentados, ainda que por um instante. Para que, em seguida, possamos sair em busca do Santo Graal perdido novamente. Go figure!

O horizonte nada revela, tudo promete. Tudo é possível em 2012. Tudo! Há até um arco íris! Sim. Dá pra imaginar um duende e um pote de ouro ao final. Telepaticamente digo ao duende que melhor faria ajudando Papai Noel com meu presente... ainda tenho esperança. Huuum... peço a Abba também que ajude. Papai Noel e Papai do Céu S.A.!

Quanto ao pote de ouro. Bom... é só uma metáfora, não é? Claro que pode ser transferido para minha conta no BB... hahahahahaha Mas não é que existem coisas que o dinheiro não pode comprar?

Outro dia vi no facebook que dinheiro não traz felicidade, mas leva a gente pra sofrer em Paris. Nada mal... Só que eu não quero sofrer nem aqui nem na China e nem em Paris. Nan nan nin!

Até admito que o pacote seria "master plus elite style" com um dinheirinho dentro, mas caixão não é baú.

Run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuuun!!!



Run só mais um bucadim...
Cochilou, cachimbo cai!


Daqui a um tempo, irei olhar para trás e o cenário será outro. Já não poderei avistar 2011, o diretor, as pessoas, a linha de partida.


Com um sorriso nos lábios olho firme em direção ao horizonte e incerta do futuro, mas confiante em mim, no caminho que estou percorrendo e em Deus, dou passos decididos e constantes. Ao meu lado sinto a presença dos meus companheiros de maratona, cada um com sua obstinação, já com seus pensamentos guardados para si. Seguimos, tão juntos e tão separados, cada um rumo ao seu próprio objetivo.

E penso cá comigo: "Feliz Eduarda".

Feliz João, Feliz Maria, Feliz Isabel, Feliz Marina, Feliz Giovanna, Feliz Marden, Feliz César, Feliz Ana, Feliz Rafael, Feliz Beatriz, Feliz Bruno, Feliz Juliana, Feliz Cecília, Feliz Camila e Camilla, Feliz André, Feliz Andressa, Feliz Fábio, Feliz Hugo, Feliz Daiana, Feliz Marcela, Feliz Maíra, Feliz Marcelo, Feliz Rayana, Feliz Aline, Feliz Cinthya, Feliz Faberi, Feliz Fátima, Feliz Luana, Feliz Elza, Feliz Helen, Feliz Jair, Feliz Fabrício, Feliz Diogo, Feliz Mariana, Feliz Felipe, Feliz Helvio, Feliz Polyana, Feliz Liliane, Feliz Hudson, Feliz Jussara, Feliz Júlio, Feliz Francisco, Feliz Rosane, Feliz Tânia, Feliz Simone, Feliz Fernando, Feliz Rogério, Feliz Roberta, Feliz Daniela e Daniella, Feliz Mirian, Feliz Liana, Feliz Vanessa, Feliz Mayza, Feliz Rodrigo, Feliz Eduardo, Feliz Pedro, Feliz Lucas, Feliz Matheus, Feliz Isabela, Feliz Déborah, Feliz Maíra, Feliz Thiago, Feliz Catarina, Feliz Monique, Feliz Sabrina, Feliz Natália, Feliz Sofia, Feliz Cristiano, Feliz Philipe, Feliz Tereza, Feliz Gabriel, Feliz Cláudia, Feliz Gerson, Feliz Thaís, Feliz Priscila, Feliz Ricardo, Feliz Nádia, Feliz Daniel, Feliz Gustavo, Feliz Antônio, Feliz José, Feliz Luís, Feliz Alexandre, Feliz Rubens, Feliz Morgana, Feliz Luciana, Feliz Bruna, Feliz Fernanda, Feliz Amanda, Feliz Patrícia, Feliz Heber, Feliz Marcos, Feliz Paula, Feliz Valesca, Feliz Erik, Feliz Elisa, Feliz Rita, Feliz Valdete, Feliz Antônio, Feliz Bartolomeu, Feliz Carlos, Feliz Josefa, Feliz Sebastião, Feliz Jeferson, Feliz Reginaldo, Feliz Carla, Feliz Paulo, Feliz Bárbara, Feliz Armando, Feliz Madalena, Feliz Dueli, Feliz Flávia, Feliz Abigail, Feliz Grace, Feliz Carminha, Feliz Saulo, Feliz Renato, Feliz Virgínia, Feliz Andrew, Feliz Luíza, Feliz Felizardo =), Feliz Marilde, Feliz Silvana, Feliz Anderson, Feliz Reneide, Feliz Robson, Feliz Gabriela, Feliz Carolina, Feliz Marlize, Feliz Eliseu, Feliz Mônica ...


Que sejam sempre felizes, em 2012 e em qualquer oportunidade, qualquer momentinho... Que encontrem razões e motivos para estarem felizes, nem que seja por instantes e que estes instantes se multipliquem e sejam revividos em memórias felizes também.

Por mais sincero que seja o desejo, 2012 não vai se fazer e nem fazer ninguém feliz sozinho. 


Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuun!!!



"E que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar a o espírito" 
Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Coisas incompreensíveis, mas que ninguém precisa entender mesmo.


"Me ajudem a entender aquilo que estou dizendo para vocês, e explicarei melhor."
Antônio Machado


 
As vezes achamos que as coisas finalmente se acertaram e que estão caminhando como têm que ser.


Outras vezes ficamos convictos de que está tudo de pernas pro ar.


Tudo isso acontece porque o mundo é assim... a vida é assim:


CHEIOS DE COISAS INCOMPREENSÍVEIS,
MAS QUE NINGUÉM PRECISA ENTENDER MESMO


Na verdade, não raro essa sensação traduz o sentimento de que as coisas estão indo conforme a nossa vontade e que queremos que continuem no mesmo caminho, que supomos o certo somente porque é bom e conveniente.


Por isso, quando é assim, não demora até que tudo mude e nossas vidas virem de cabeça pra baixo.



Em outro giro, quando as coisas estão em total "pânico e terror"... sei lá! As vezes tocamos o "f#%$@-se" porque é como diz o filósofo Tiririca: Pior do que tá, não fica.


Talvez eu esteja querendo dizer que quando tudo está do jeito que “deveria estar” ficamos prisioneiros dessa perfeição, prisioneiros porque o medo de estragar tudo, de “perder” aquilo... esse "abismo iminente" nos deixa em pânico constante.


Talvez eu esteja querendo dizer que quando está tudo "uma zona" ficamos livres pra esculhambar e arriscar e sermos insanos (!), irresponsáveis (!), ficarmos NEM AÍ porque, “se bobear”, as coisas de repente se ajeitam... então dos dois, um: [A] ousamos uma solução improvável e arriscada ou [B] aproveitamos pra ficar à toa e sermos irresponsáveis, doooidjos, cansados, ciganos... todas as coisas que não podemos nos dar ao luxo de ser quando está tudo bem e o pânico de arruinar o momento nos deixa prisioneiros da vontade "inútil" de aprisionar uma perfeição que já "sabeeeemos" que nunca será eterna.


Anyway! Sabendo instintivamente da instabilidade das circunstâncias, temos a mania de rotulá-las em boas e ruins conforme sejam ou não sejam do nosso agrado, ou sejam ou não aquilo que deveríamos desejar para sermos socialmente enquadrados como felizardos, quer dizer, aquilo que sabemos que qualquer pessoa no nosso lugar gostaria de ter.


Quando está tudo bem pensamos que aquilo tudo não poderá durar muito tempo porque seria "bom demais pra ser verdade" e talvez com nossos pensamentos, e até gestos,  sejamos nós mesmos os responsáveis por encurtar ou encerrar um momento de nossas vidas que realmente poderia ser duradouro e se prolongar por sabe-se lá quanto tempo!


Há, contudo, quem tenha o bom senso de usufruir dessas horinhas. Ainda bem! Há também quem aprenda a administrar melhor o que está vivendo. "Tá bom assim? Que maravilha! Ao invés de pensar o que poderia sair/estar errado vou é aproveitar!" Ufa! Que alívio que constatamos que é possível aprender com os erros do passado.


Que bom que, eventualmente, desistimos de tentar o ouro olímpico na modalidade "quem acha mais cabelo em ovo?" É a SPN (Síndrome do Peru de Natal) da qual falei há uns posts  e que se tornou uma das maiores epidemias que já acometeram a humanidade... Mas queeee bom que pelo menos estamos nos tornando conscientes das nossas criptonitices e calcanhalecisses de Aquiles! Amém! Yeaaah!


Não vou dizer que é fácil acreditar que ao menor sinal de que tudo vai bem podemos suspirar tranquilos e sossegados e pensar que finalmente as coisas tomaram o caminho correto e pelo qual esperávamos! Claro que temos um pé atrás e um receio razoavelmente justificado. Dá medo mesmo isso de entrega... de nos entregarmos assim facinhos desse jeito à “felicidade”. Essa “tal”...



Sabemos que não é incomum que a pessoa se sinta realizada e fique ali viajaaando... antecipando como vai ser a vida... tantos eventos e anos de felicidade e realização! Maaas, por motivos incompreensíveis - ao menos para mim - os sonhos se arruínam e se desfazem em meio ao vão na poeira do caminho! Como diz Shakespeare: “...porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão...”


Curioso... Depois que "conheci" Derek (o cara canadense que faleceu, escrevi sobre ele no post http://eduardachacon.blogspot.com/2011/05/o-ulitmo-post-antes-de-morrer-ele-tinha.html) não consigo mais falar sobre a falibilidade dos planos e sobre as reviravoltas da vida sem lembrar dele... Enfim! Temos que estar preparados para o fato de que, não importa quanto sentindo tudo faça dentro da nossa cabeça, o que se passa dentro da nossa cabeça é uma parcelinha ínfima do mundo, embora seja o mundo inteiro para nós.




Paciência!


Acho que é o que MAAAIS repito aqui, no fim das contas é o seguinte meu povo... de tudo que já postei no blog sobre os planos que fazemos para a nossa vida, fica a frase de John Lennon que resume perfeitamente bem minha conclusão: "A vida é aquilo que nos acontece enquanto estamos ocupados fazendo outros planos".


Por que?


Por que estamos sendo constantemente testados? Por que quando não é a vida que nos testa, somos nós mesmos nos testando? Com jogos, pegadinhas, provas e escolhas propositadamente e conhecidamente tricky e desnecessários? Por que, não raro, usamos tudo ao nosso alcance para negar a realidade quando simplesmente enxergá-la poderia fazer tudo tão mais fácil? Mais lógico?


Por que esse medo? Medo do medo! Medo do medo do medo!!! Pra quê tantas válvulas de escape? Por que tantas frustrações? Tanta auto-cobrança e tanta preocupação com o outro? Medo do “de fora”? Do alheio? Do inútil?


Eu digo isso: perdemos um tempo absurdo em conflito conosco. Como é que poderíamos sair vencedores e não derrotados – ao menos concomitantemente – de um conflito assim? Conosco? Constranosco? Veem como é incongruente? Incoerente?! Não poderíamos!!! Ponto. Simples assim!!! Entramos numa briga que vencendo ou não, seremos os maiores loosers! Porque estamos dos dois lados do ringue... Que coisa de gente doida (e mongol?!) é essa?




Que coisa extremamente difícil que é ter o mínimo de auto-domínio. Auto-conhecimento. Auto-consciência da própria ignorância!!! Li essa frase que diz o seguinte: "Conseguir cem vitórias em cem batalhas não é prova de excelência. Subjugar o inimigo sem lutar é prova de excelência." (Sun Tzu). Pensem BEM sobre isso... que coisa fantástica!!!!


Quer dizer... aplicando isso a nós mesmos seria como dizer que não precisamos nos impor um regime de limitações, torturas, restrições, regras e padrões... Precisamos criar uma maneira de convívio que seja harmonioso de modo que consigamos arrancar de nós mesmos aquilo do que precisamos sem que isso constitua privação, conflito ou sacrifício. Tudo isso dentro do nosso limite de tolerância.


Quer dizer: podemos ser legais conosco "por bem" ou "por mal".


Logo, precisamos dar um jeito de sermos legais conosco "por bem" .



Isso sem parecer que estamos nos permitindo indulgências, porque o homem repele tudo que ele considera como "esmola".




Logo, temos que nos enganar para sermos bons conosco sem acharmos que estamos nos dando esmola ou, caso contrário, iremos nos sabotar e procurar o caminho mais difícil para provar a nós mesmos que não precisamos dos nossos próprios favores!!! 


É isso!?


É mais fácil, é mais tolerável que sejamos bons do que ótimos com nós mesmos.  É isso... É puro instinto! Ok! Que seja! Um "bom" que não force e agrida a nossa tolerância é mais negócio do que um "ótimo" que nos desgaste ao limite de nos obrigar, eventualmente, à rebelião, “auto-rebelião”!


O custo benefício do "bom", assim, é muito melhor a longo prazo e, nesse ritmo, proporciona uma paz relativa. Não é interessante?


Enfim! Se de vez em quando nos sentirmos "ótimos", quer dizer que de vez em quando, com maior frequência, provavelmente, NÃO nos sentiremos ótimos. Então, a longo prazo, o resultado é estresse e frustração.


Maaaaas se nos sentirmos quase sempre "bons"... mesmo que não seja "booom boooom booooom", mas "bonzinho"... então quase nunca estaremos NÃO-BONS... ou miseráveis... e, a longo prazo, teremos algo como um certo sossego. Negociozinho interessante, né?


As nossas sensações são uma coisa que ninguém compreende. Nem sei se alguém entende no fim das contas... SÃO AS COISAS INCOMPREENSÍVEIS QUE NINGUÉM PRECISA ENTENDER MESMO.



Nem sei dizer se normalmente estamos como estamos com ou sem motivo. Tristes, felizes, nervosos, ansiosos, cansawedos, eufóricos "por causa de" ou "simplesmente...".


As vezes (tipo... TODAS AS VEZES, praticamente) os sentimentos e as sensações são coisas que nos atingem absolutamente à nossa revelia. Tanta coisa que nos atinge à nossa revelia!!!!


Pior do que quando sentimos algo "sem ter nem pra quê" é quando sentimos algo que "não tem pra quê mesmo!"... Sabem? A gente tinha tudo pra estar se sentindo o exato oposto daquilo! Mas aí...


"É claro que a vida é boa e a alegria a única indizível emoção.
É claro que te acho linda, em ti bendigo o amor das coisas simples.
É claro que te amo e tenho tudo pra ser feliz, mas acontece que sou triste."
(Vinícius de Moraes)




Êêêê poetinha! O poetinha sempre entendia das coisas... ou entendia que não entendia coisa alguma! E desistia de quebrar a cabeça à toa!!! Apenas sentia. Encarava, segurava o rojão e pronto.


Eu sou insistente nisso de querer entender as coisas. Acho que é algo que está intimamente ligado ao meu arraigado hábito de pensar demasiado em tudo, sempre, tanto. Penso, penso, penso!!! Sem dúvidas, se pensar é existir, então eu existo de forma densa... até tensa.


Ontem, por exemplo, vi uma pessoa tomar um suco de maçã e pensei que maçã, como suco não me apetece. E me perguntei se maçã é uma fruta que “nasceu” pra servir de suco, afinal, não existe polpa de maçã... mas então lembrei que laranja e limão também não são comercializados como polpa... e nenhuma fruta é tão “pra suco” feito laranja... mas pensei que, ao contrário da maçã, laranja e limão são comercializados como suco concentrado, o que supriria a questão da polpa... e fiquei pensando, no final das contas... se sabendo da existência do suco de cenoura (!), realmente dá pra implicar com o suco de maçã! Mas já pensou “picolé de maçã” da Kibon? Mais uma prova de que maçã não nasceu pra ser suco? Enfim... só sei que eu prefiro a fruta não-suco.


Entendem? Como eu penso demais??? Eu e a “Teoria da existência do suco de maçã”! Hahahaha Newton não foi o único que pegou una maçã e criou uma teoria!!!



Mas aceito. Aceito que tem coisa que não se entende. Algumas coisas são incompreensíveis e ninguém precisa entender mesmo. Embora, evidentemente, isto não signifique que eu não pense a respeito destas coisas, não tentando entendê-las, mas classificando-as, ué! Embora entendendo que não é preciso que sejam compreendidas. Compreendendo tudo isso.


Acho que as pessoas talvez sejam assim. Talvez, no máximo, possamos compreender, algumas vezes, parte de suas atitudes. Determinadas atitudes... Quem sabe certas atitudes das pessoas sejam “entendíveis” e outras não! Ou uns aspectos se entendam, outros não.



E se por um lado existe essa consciência da impossibilidade de se compreender o que não se pode entender, de outro lado, haverá o inconformismo. O inconformismo permanece e não dá trégua. Coisinha difícil.



Nos inconformamos não com a “ignorância”, mas com a impotência. Com a ansiedade. Com a dor e com a ausência de dor... com a alegria e com a iminência de seu término. A ansiedade nos tortura, não podemos compreender porque insistimos nas coisas nas quais insistimos: na ansiedade inútil, no inconformismo com a ausência de mudança e de melhora/evolução – em nós e no outro, na falta de modéstia, de humildade, no encurtamento das coisas boas, no prolongamento das coisas ruins! Não compreendemos, sabemos. Mas não nos conformamos... e, no entanto, nada muda.


Como nossos sentimentos têm força sobre nós! Nunca paro de me surpreender. Os meus, minha nossa! São titânicos, tirânicos. Me adoecem e me curam. Me enaltecem e me derrubam. Possuem um poder de vida e morte, destruição e construção sobre mim. E ainda que saiba disso, me sinto absolutamente impotente.


Não posso compreendê-los QUASE NUNCA. As vezes posso fugir deles, mas NEM SEMPRE. Eventualmente, me encontram. O poder avassalador que possuem sobre mim, de me erguer e de me desmoronar... me surpreende SEMPRE. NUNCA poderia colocar, realmente, em palavras a minha relação com os meus sentimentos e os meus pensamentos.


Me pergunto: tem muita gente por aí, mundo afora, que sente o que eu sinto? Seria presunção achar que isso é bom ou ruim? Como rotular ser assim? Como explicar ser assim? Como é ver o mundo a partir dos olhos de alguém que vê o mundo a partir daquilo que entende que são os meus olhos? Será que consigo transmitir o que é ser eu? Será que é algo especialmente difícil de explicar ou entender? Ou será que é mais uma pergunta sem resposta? Que não é possível projetar-se em palavras de modo a fazer que o outro leia os nossos próprios pensamentos? Será que invariavelmente ao lermos o pensamento alheio estamos sempre lendo algo diferente do que foi escrito, mas todos balançamos a cabeça, o escritor achando que foi lido e o leitor achando que leu? Será que é isso que faço com Vinícius, Shakespeare? Será que esta é mais uma coisa incompreensível, mas que ninguém precisa entender mesmo? Será???!!!




Conheço uma menina que tem um avô que mora no céu. Um dia desses essa menina chegou cheia de “E ses” pra mim. “E se isso aquilo se se se se se se se se?”.... “E se?”


Sabe que “E”... assim como “SE”, são conjunções, né? Mas quando juntas, deixam de ser figuras linguísticas e se transformam num dilema filosófico! Como podem duas palavras separadas serem tão inofensivas e juntas tão poderosas? Pois é... Mas, e se algumas coisas são incompreensíveis e ninguém tiver que entendê-las mesmo!? E se algumas perguntas não têm respostas?


E se eu tivesse feitos planos diferentes!? E se eu não tivesse feito planos?! E se eu tivesse perguntado o caminho a alguém?! E se eu tivesse catado o “manual de instruções”?! E se não existir manual de instruções?! E se a cada um são necessárias suas próprias experiências?! E se é importante partilhar experiências?! E se eu tomei o trajeto errado?! E se eu tomei o trajeto certo, do jeito errado?! E se todas as alternativas anteriores estiverem corretas?! E se, e se, e se, e se, e se?!



Vêem?! Entendem?! Percebem?! Olha só... Eiii!!! Owwww!!! Ôôôôô menina que tem um avô que mora no céu!!! Repara isso!!! Existem coisas incompreensíveis, mas que ninguém precisa entender mesmo...

Sim. Existem coisas incompreensíveis... Mas falemos! Falemos!!! Lembremos que falar é terapêutico.

Uma amiga me perguntou outro dia que bem fazia ouvir a lamentação alheia, por exemplo... bom. Pra quem se lamenta faz um bem danado! Kkkkkkk É a “teoria da banalização” de Freud. O que era um tabu... um problema inefável, inexprimível... vira “aquele meu problema lá, sabe?” (e você pensa: quem me deeeeeeeera não saber! hehehehe) Mas é isso! Já não é inominável! Se torna meio que banal... depois deixa de ser importante porque é feito “trânsito”! Isso! De carro mesmo! Engarrafamento: aquele incômodo diário que só de vez em quando incomoda mais que o normal. É isso! Shakespeare, lembram? “Falar alivia dores emocionais”. E pra quem ouve? Bem.. pra quem ouve eu acho que também se aplica a banalização. Vai deixando de incomodar... depois você vai nos “anhãnsms” e “nmhuns”... e ainda é exercício de caridade. Amor ao próximo.


Coragem é o que se requer para levantar-se e falar; coragem é também o que se requer para sentar-se e ouvir.”
Winston Churchill





Existe uma coisa muito interessante. É uma frase de François de La Rochefoucauld que diz: “Todos nós temos força o bastante, para suportar as dores dos outros”. Quer dizer... A nossa dor, não? Eu me identifiquei mesmo. Já escrevi sobre isso antes. De como o outro sempre é um motivo melhor do que eu mesma para que eu escreva (e por isso voltei a escrever no blog depois de dois meses parada, por causa de uma menina que tem um avô que mora no céu) e por isso tantas vezes saí do meu cantinho lá no fundo do poço... pra ajudar alguém que ainda estava na BEIRADA do poço! Nem tinha caído!!!


Tal é a força do habito, que nos habituamos até mesmo a viver.”
Gesulado Bufalino
(Que nome!!! Não dava pra deixar passar sem comentar!!! Minha nossa!!!)


Então é isso...


Dias fáceis e dias difíceis se intercalam entre si e duram períodos que nos parecem absolutamente imprevisíveis mas que, na verdade, são mais que previsíveis: são períodos de duração definidos por nós mesmos. Antecipados e prolongados conforme nossa ansiedade, instabilidade, nossas tentativas vãs e, eventualmente, “bem sucedidas” de planejamento. Tudo não passa da ilusão de que não temos controle algum.


A falta de controle é uma grandessíssima ilusão que criamos para podermos usar o controle que temos sobre tudo com o conforto de culpar ao "mundo" quando as coisas não saem como achamos ou gostaríamos que tivessem saído. Vivemos num mundo muito do "de verdade", mas então criamos fantásticos "mundos de Bob" a torto e a direita... E chamamos a tudo isso de realidade.




Seja lá o que estivermos vivendo, sempre nos parece interminável e definitivo, especialmente se for ruim. Chegar no peso ideal, encontrar a pessoa certa, passar num concurso, terminar um livro, entrar na academia, se entender com um familiar, arrumar o quarto! Coisinhas do dia a dia que parecem - mas não são, sabemos disso bonitinho - simplesmente impossíveis.


Um dia uma amiga me perguntou se eu sabia o que era não ter a opção de ter saúde. Ela está curada hoje de um câncer no cérebro. Não. A minha resposta é “eu não sei”, no sentido que ela perguntou. Eu sei o que é ter uma feridinha que não sara nunca, eu sei até o que é ter um fêmur quebrado e passar 90 dias engessada e um mês de cadeira de rodas... Mas não saber se vou ou não morrer (de câncer) eu não sei. Posso cair, bater a cabeça e morrer... mas o terrorismo de combater diariamente uma doença... isso não!


Então é difícil! Como não me policiar na frente dela, né? É como se eu “me adoecesse as vezes” e eu sinto um mega peso na consciência por fazer isso na frente dela, mais do que de qualquer outra pessoa!


É como se eu adoecesse minha alma algumas vezes... É a impressão que eu tenho. Mas não sei até que ponto tenho culpa da minha “própria enfermidade”. Não é como um tumor no cérebro, né? Minha alma adoece de melancolia! De vontades! De perguntas! De desejos! De ânsias...


Dediquei-me a investigar o que é a vida, e não sei o porque ou para que ela existe.”
Severo Ochoa




Ontem antes de dormir decidi tipo... “reciclar” meu cérebro lendo um livro. Trocar os pensamentos... não é pensar outras coisas... é não pensar o que eu estava pensando. Foram 368 páginas das 21:30h às 2h. Por acaso no livro que eu li estava escrito que os pensamentos adoecem a alma e a alma adoece o corpo. Não que eu não “soubesse isso”. Meio óbvio, né? É preciso cuidado permanente... com o corpo e com a mente. Para não oprimir nem sobrecarregar a alma (demais).


Sim. A verdade, meu povo e minha pova, é que no final das contas, no frigir dos ovos, não tem pra quê se avexar! Muitas coisas, mas muitas mesmo, simplesmente são incompreensíveis. E tá tudo bem... tem bronca não. Ninguém precisar entendê-las anyway...



Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia"
Ato I - Cena V, Hamlet, Shakespeare