sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sincericídio à parte, sinceramente, viu?!


Ontem li um artigo do Ivan Martins na Época on line sobre sincericídio (http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ivan-martins/noticia/2012/07/sincericidio.html).

O tal artigo do sincericidio falava de uma visão bem venal, banal da coisa, com foco exclusivamente em relacionamento... não NA VIDA como um todo.

Fiquei pensando... (Oooohhhhh!!!! Eu pensando?!) existe o sincericídio "homicida" que visa matar o outro do coração... e existe o "suicida" que é você mesmo se destruindo. Que coisa esquisita essa compulsão de ser sincero demais, por motivos nobres, vaidade, escárnio ou sarcasmo, para chocar e para testar, porque sim... e "por que não?".

Sincericídio não é ficar fazendo ciuminho pro namorado/namorada. Se promovendo e coisa e tal. E aquela velha história do "Amiga do céu, como te deixaram sair na rua horrorosa desse jeito hoje? No dia em que você me vir assim me despacha de volta pra casa correndo porque eu não vou estar nada bem." É aquele "É meu amigo, se ela te traiu é porque não gosta de você mesmo. Todo mundo sabe que ela ficou com o fulano." "Estuda, estuda e se esforça porque senão você não passa nem no raio da prova pra GARI, Fulaninho!" "Olha, me desculpa, mas a sua vida está uma bosta - e está mesmo - mas a culpa é sua, que está aí vendo o tempo passar e se tornando 10% da pessoa que poderia ser." "Que preguiça que eu tô de te aguentar, hoje! Se você soubesse nem falava comigo..." "Eu não te cumprimentei porque fiquei com vergonha, tal era o seu estado quando você chegou, pelo amor de Deus, Siclano!" "Essa mulher é uma gata! Linda, inteligente e divertida, e se você não agir feito homem, ajo eu! Melhor eu, que sou seu amigo, do que o vizinho!" "Não vou ao almoço que não tô com saco de aturar a família alheia hoje!" "Quando você for metade da pessoa que eu sou, você pode vir me dar lição de moral" "Eu tenho pena de você."

Quem quiser que fale mal. Todo mundo é sincericida em alguma medida. Uns são sem querer, querendo, na verdade só estão em busca de se promover ou de magoar o outro (que era bem o tema do artigo). Outros usam isso como ferramenta de espezinhamento social recreativo... Outros usam - ou acham que usam - como utensílio educador, mais eficiente do que a palmada na mão dos alunos com a régua. Tem os que usam porque podem, porque conseguem manusear tão bem as palavras... usam para ver se as pessoas conseguem captar a sutileza de sua sinceridade, ora homicida, ora suicida. São assassinos e kamikases vernaculares.

As palavras são armas poderosas. Têm efeitos devassadores. Sorte que aqueles mais sujeitos a sofrê-los, os efeitos das palavras, são exatamente os que costumam empunhá-las. Que vença o melhor quando dois sincericidas resolvem se confrontar... porque então ocorrerá um duelo do qual decorrerá ou uma amizade, ou um desastre.

Sinceramente? Não dou a mínima se todo mundo concorda comigo ou não. Escrever é falar sem ser interrompido. "Fuck U, vc".

Nenhum comentário:

Postar um comentário