segunda-feira, 30 de julho de 2012

Onde reina a Paz?! E vai como? De trem?


"There is no path to peace. Peace is the path."
 (Mahatma Gandhi)




Era uma sexta feira, aproximadamente  13:30h. Eu estava almoçando no mesmo restaurante onde almoço  praticamente todos os dias da semana. E esses são os momentos em que coisas interessantes, curiosas, acontecem: no lugar comum de nossas vidas.

Hoje é um dia diferente dos demais? Sim. Por que? Por tudo. Pelo fato de que hoje é hoje. Nenhum dia é igual a outro na minha vida. Nunca foram. Eu acho isso mais um dos muitos privilégios que Abba me concede. Só que, ainda assim, coisas se repetem, por mais que os dias sejam diferentes uns dos outros.

Além disso, acho que estou na TPM, ou saindo dela. Esse estado de espírito que se apossa de mim mensalmente desde os 26 anos mais ou menos. Mais uma das ocasiões em que posso dizer sorrindo da "piada": eu era feliz e sabia. Que maravilha a vida pré TPM. Estou eu, com TPM, numa sexta feira, um dia após o aniversário da minha mãe - na quinta - quando estava indo trabalhar e tocou no rádio "Gatinha manhosa", Adriana Calcanhoto cantando, e eu fiquei malzona. Minha mãe cantava essa música para me pôr para dormir quando eu era pequena. Quase choramos - ou melhor, choramos - quando liguei para dar-lhe os parabéns. Passei o dia borocoxô. Minha mãe está ficando velha, um dia ela irá embora... e eu estou longe dela. Eu estou só. Eu vivo só (sentiu, né? meu estado de espírito?). Na semana em questão nenhum dia fui na academia pela manhã. Fui à noite, quando muito. Fiquei as manhãs bolando na cama e me aninhando na colcha e no meu ursinho Teddy (e AI de que falar qualquer coisa dele! Têm um problema com meu ursinho Teddy? Hãnm!). Sexta, mais uma sessão de "é só hoje porque estou de TPM que vou ficar GORDA, OLEOSA e PREGUIÇOSA na cama, sem me odiar (muito) por causa disso". 

Então levantei - gorda, oleosa e preguiçosa, verdadeiramente horrível - escondi da melhor forma que pude meu estado espiritual e físico (?) e fui trabalhar.

Estava almoçando. Ando distraída. Ando tão distraída... Me distraí. Só percebi um tempo depois. Embora acho que tenha sentido imediatamente... a familiaridade, sabem? Senti, mas não sei como registrei.

Não digo que me distraí porque comecei a falar de mim. Isso faz parte do meu sincericídio e da minha sozinhice. Não resisto. Falo meeeeeermo. rsrsrsrs Afe. Tenho até vergonha depois quando me lembro do tanto que falo de mim. E falo CADA coisa que "Jesus, Maria, José"!

Foi quando me fizeram uma pegunta. A pergunta que me fizeram foi a seguinte: "Quando você tem paz?" Bom, foi isso que me aconteceu... essa pergunta. E essa pergunta revela muito sobre quem faz a pergunta. É sempre bom encontrar uma pessoa que faz perguntas assim para pessoas que entendem perguntas assim.

Pois é. Engraçado que eu entendi perfeitamente a pergunta. Isso em si já tem um significado muito relevante. Acho que meu interlocutor, pelo pouco - nada - que o conheço, sabe tão bem disso quanto eu. Essa pergunta tem a função básica de não ser entendida.

Eu não só entendi como respondi imediatamente, talvez até meio na defensiva, não contra o "perguntante", mas contra mim, contra o mundo. Eu disse: "Eu tenho tido paz ultimamente". E ele devolveu: "Tem? Em que momento?" 

Ai ai.



É o seguinte: as pessoas "normais" acham que têm paz, pra efeitos práticos elas "tem" paz. Ou não sabem que não têm paz, enfim... é a mesma coisa, embora seja o oposto. Elas não pensam sobre isso, não se afligem com isso. Sabem? Isso pra comeeeeeço de conversa. Ou, se não ESTÃO em paz porque estão, digamos, "chateadas", elas encaram isso como um problema transitório. Quer dizer, realmente, as pessoas "normais" não entenderiam essa pergunta. hahahahah Dependendo do nível de "normalidade" até se ofenderiam ou estranhariam muitíssimo ouví-la. Não é - para a "normalidade" - uma questão de "ser", mas de "ter", como, aliás, quase tudo no mundo para "eles".

(Um parêntese: 


Engraçado que tem "vários tipos de gentes" no mundo. As vezes eu acho que reconheci ou encontrei uma pessoa do "meu modelo" (e haaaaaaaja aspas, né? mas e o jeito?!)... e acaba que é alarme falso. Logo depois de um tempinho eu percebo que neeeeem neeeeeeeeem. A pessoa nem sabe do que eu tô falando. Pensa que é um código secreto e fica lá toda minha brother e eu "ROINC".. pensando... "Aaah nem!".. kkkkkkk Não é que o "meu modelo" tenha nada de especial. É só um povo que pensa muito, que filosofa até (uns sem saberem ou admitirem), que gosta de ler e saber sobre todas as coisas, que presta atenção nos outros de um jeito que a maioria não presta, que presta atenção nos detalhes das coisas, que têm muita  curiosidade, têm uma certa cumplicidade entre si... não sei explicar. É um jeito de ser, de ficar sozinho, de sofrer, de estar triste e feliz, de se importar também, de perceber a beleza/tristeza/presença/ausência/estado das coisas. De ser persistente e de ser flexível ao mesmo tempo. Tipo: nunca admitir que é flexível porque tem orgulho de ser teimoso, mas não gostar de ser chamado de teimoso porque se considera muito flexível! hahahahaha Um jeito de envolver os outros ao seu redor, de se tornar conselheiro, de entender de "medicina", de ser dono da verdade e ainda achar que tem a humildade de reconhecer quando está errado (e reconhecemos mesmo, mas nunca estamos! kkkkkk). Enfim...


É possível que todo mundo tenha um amigo assim.. mas pra esse amigo ter OUTRO amigo assim não é tão fácil. E tem muita gente que gosta de fingir que é assim... como se fosse bonito. Nem é. Tem boa parte do tempo que é até doído... "do-í-do, não doido.. do verbo "doer".. dolorido, sabem? Mas é muito doido também... de "que coisa doida!" Somos meio chatinhos e meio bairristas... Yeah! Quando nos reconhecemos um ao outro é "mó bom"... já somos praticamente íntimos, afinal, é tanta semelhança, tanta compreensão, tanta dor e tanta inquietação, tanta dúvida que partilharmos! Isso nos aproxima mesmo do mais recente ex estranho que seja do nosso modelo... mas não somos excludentes dos outros, de modelos diferentes, até porque acho que uma característica nossa é ver com o olhar do outro (até mais do que com o nosso as vezes, embora não sejamos machos o suficiente de admitir essa "falha" com frequência: essa de que não gostamos muito de focar em nós e nos priorizar - embora nos analisemos tanto!)... e também porque conseguimos antecipar as coisas: eventos, atitudes, consequências, "coisas". Isso também nos deixa ora mais pacientes (porque sabemos o que nos irá chegar) e ora mais desesperados/ansiosos/impacientes (pelo mesmo motivo). Eu, particularmente, costumo ficar calma quando antevejo coisas boas e ansiosa quando estou incerta ou quando acho que é algo não-bom. 


Sei que passamos a impressão de afastar as pessoas... e afastamos algumas mesmo. Temos enorme apreço pela solidão... Uma coisa interessante é que "autorizamos" a permanência ao nosso lado, e até achamos bom, de pessoas que sabem ficar "sozinhas mesmo perto" ou que, não sabendo, respeitam essa nossa peculiariadade e nos dão espaço. Não é preciso estar só para ficar sozinho, se você quer saber. Tenho achado, depois de "velha" rsrsrsrs, que ficar sozinho junto é bem melhor. Uma coisa que tenho também é a memória associativa mais incrível! Coisinha que pode ser fantástica e inconveniente: as coisas se conectam... as músicas, histórias, piadas, momentos, lugares... E acho que temos bom coração...Mesmo! Estamos trabalhando nesse "trilho" (mais na frente você vai saber o que é trilho).


...mas chega de divagar e vamos voltar ao assunto: eu! kkkkkk Agora "sério": a paz! rsrsrsrs )

Eu "tenho" paz as vezes. Bem, na verdade, tecnicamente, eu considero que eu até vivo bastante em "não não-paz" hoje em dia... o que não é em "paz" exatamente, mas não é também "não-paz", é "não não-paz", o que é um certo tipo de paz... paz em sentido lato. Mas quando eu tenho momentos de paz (em sentido estrito), costumo saborear bem. Acho, como disse, que se falando em "momentos", até que tenho mais momentos de paz ou de "ausência de não-paz" do que de "não-paz".

É que as vezes começamos a abrir concessões pra as determinações que fizemos para nós, a partir das experiências que tivemos, e descobrimos que estamos perdendo a paz por nossa própria culpa. Isso é muito ruim. Bagunça a "não não-paz" e a paz da gente.

Também não acho que se trancafiar nesse perímetro pré estabelecido pelas experiências pregressas seja  "viver em paz" e ser feliz. Apesar de que quem fez/faz essa escolha, com certeza, me olharia com uma cara muito feia agora me desafiando a mostrar de que modo ele não vive na mais absoluta e invejável paz, numa vida bem melhor e mais alegre do que os "outros" que insistem em escolhas infelizes. Bom, na minha opinião - e no MEU blog a MINHA opinião é que vale (Noooosssa, ter um blog é muito bom pra quem não gosta de ser contrariado! Anti stress total!) - como eu ia dizendo, na minha opinião, se a pessoa vive numa zona segura, sem as "escolhas infelizes, erradas, equivocadas, controversas, whatever", ela pode não ter a ausência de paz causada pelo desgosto, pelas frustrações, pelos recomeços, pelos embates, blá blá blá, o que é lindo e ótimo, mas também ela não tem as recompensas dos acertos, o tempero de se arriscar em termo de relacionamento e de ser bem sucedido. A verdade é que, secretamente ou confessamente, todos queremos arriscar, mas não sob as mesmas condições. Alguns precisam de mais incentivo, alguns precisam de bons argumentos, alguns precisam que seu coração bata num ritmo que de orquestra.. não de Michel Teló. Viver no perímetro da ausência de conflito pode até deixar de fora a "não-paz", mas não confunda a "não não-paz" com a "paz". A paz tem um quê... um tempero de felicidade.

Tá bom. Confesso que tenho me sacaneado ultimamente no quesito paz. Por isso que a pergunta me deixou tão na defensiva. Por um lado foi bom, não porque tenha me mostrado isso - que eu já percebi, espertinha que sou - mas porque é um peso a mais na balança da "acordação", aquela do verbo "acordar". Acordar pra cuspir, pra Jesus, essas coisas.


"I am not only a pacifist but a militant pacifist. I am willing to fight for peace." 
Albert Einstein




Eu estou disposta a comprar essa briga comigo mesma, seja lá com quem for, pela minha linda paz. Só que, eu sou osso duro de roer, e não é fácil me dobrar. Tem coisas que preciso fazer e que fico ali, no enrolation-tion-tion, e isso rouba minha paz também, claro. O tique-taquear do relógio me enlouquece. Sim. Mas de que adianta uma louca estanque? Sou eu. Mudanças num ritmo muito lento quando se trata de eu, eu mesma e myself dentro do interior de mim mesma.

O comodismo é o inimigo mais mordaz da paz. Tendemos a espernear contra as ameaças externas à nossa paz, mas deixamos que o comodismo a sufoque lentamente, assistindo imóveis, desde que, definitivamente, confortáveis. Conforto é tudo!

Existem coisas pontuais que nos dão paz ou felicidade que, sei lá, se confundem as vezes: a paz e a felicidade, entendem? Elas se confundem as vezes!... Para mim a leitura, a música, cozinhar quando tô afim (mas aí tem a louça pra lavar depooooooiissss aaaaarrrghhh), atividade física não obrigatória, o sol na minha pele quando estou com frio, observar o mundo no parque.. na rua..., aprender coisas novas, viajar (iuppppppyyyy), filmeeeeees, shoppinterapia (quando tenho dinheiro... droga!), ver coisas boas acontecendo aos outros (pois é...), terminar um trabalho ao qual me dediquei direitinho. Continuar dormindo quando estou com muito sono. Ter a casa cheirosa e arrumada! Não é preciso muita coisa. Sou facinha! =)

Hoje cheguei a essa conclusão maluca - imaginem só - de que quase tudo, praticamente tudo que acontece conosco faz parte de uma decisão que tomamos. E a paz, a santa paz, não é exceção. Só que essa decisão pode ser consciente ou inconsciente.

Engraçado... pensando melhor.. eu não já escrevi sobre o poder das decisões? É tipo isso. Sob nova luz.

Ter certeza de algo! Isso é bem amplo, certo? "Aaaah! Mas EU tenho certeza." Uuuuiii! Para quem pensa antes de falar... não que este seja um grande grupo... mas, enfim, ele existe... afirmar a certeza não é assim simplizinho. "Eu tenho certeza". Pois muito bem, senhores e senhoras. Ter certeza é uma escolha: ter certeza de que é feliz ou triste. Ter certeza de que encontrou ou não o amor da sua vida! Ter certeza ou não de que se encontrou profissionalmente. Escolhas!!! Quando você decide que tem umas dessas certezas - e aqui é indiferente se você está maluco ou não, certo ou errado, respaldado ou não - é isso aí, mermão! Fechou, partiu!

A "certeza" só é confiável nas leis: leis da física, leis da matemática, etc! No campo dos pensamentos e decisões, ela é uma ilusão que nos dá segurança. Decidimos e, então, nos convencemos de que iremos fazer aquilo porque "temos certeza", e não porque, simplesmente, decidimos.



Vejam bem. Não estou falando que você decidir, que você escolher faz com que a coisa seja real automaticamente, apesar de que, com o tempo, quem sabe? Mas você passa a ter certeza. Ora, um sujeito pode resolver ter certeza de que é o Rei da Escócia, e aí? hahahahaha Vai ser chamado de louco, vai dizer que é uma conspiração - claro que é um exemplo chulo! - mas ele é o Rei da Escócia para si e pronto. Mas a feiosa pode resolver concorrer a Miss convicta de que é linda. E se eu resolver que tenho certeza de que sou bonita, ou de que sou excelente profissional ou de que amo o Fulano, para mim, quer o MUNDO concorde, quer não, eu sou bonita, sou uma profissional do caramba e Fulano é o homem da minha vida! Quem quiser que relinche! Que se explooooooooda! Booooooooom!

Então, melhor decidir conscientemente o que PUDERMOS, o que LEMBRARMOS e o que CONSEGUIRMOS! "Sou feliz, tenho paz, me encontrei na minha profissão". Beleza. Isso de "amor da vida", aí o buraco é mais embaixo porque envolve dois malucos tendo certeza da mesma coisa, senão dá merd@, então aconselho que a pessoa pense um pouco antes de "ter certeza"... maaaaas, né?

Pois então! Eu estava num casamento outro dia e vi os noivos lendo seus votos cheios de convicção. Quem disse? Eles. Eles disseram. Eles "tinham certeza". Pronto. Basta. 

Decida. Decida não sofrer. Decida gostar da sua companhia. Decida apreciar o que você faz, o que você tem, quem você é. E decida mudar para melhor tudo que estiver ao seu alcance. E MUDE. Decida mudar e mude. Seja macho! hahahahahaha

Decida correr riscos, mais ou menos calculados, e arcar com as consequências deles, sabendo que as vezes as recompensas compensam os riscos e que as decepções são proporcionalmente menores do que os benefícios almejados. Decida e encare. Ou decida não encarar e viva com isso. Viva bem com isso. A vida é sua. Tenha certeza de que você é uma pessoa excepcional: que vale a pena. Ninguém muda o perfil de ninguém, mas as vezes você mesmo muda o seu perfil por alguém. É assim que o mundo gira. 

Eu tenho certeza. Certeza absoluta, de que vale a pena tentar. Tentar o que? Ah! Um monte de coisa! Quer ver? Tentar ser feliz para começar. Tentar viver em paz, tentar se tornar uma pessoa melhor (o que vai deixar você feliz e em paz), saltar de pará quedas, se endividar para comprar uma coisa que você quer muito, deixar de se endividar e deixar de comprar uma coisa que não quer tanto assim, conhecer melhor as pessoas, assumir quem você realmente é, assumir que nem sempre quem você realmente é é tão legal, ver ópera, ver o futebol que você não gosta com o Siclano, perder um dia todo dormindo, acordar cedo para ganhar um dia! Sem fórmulas! Se não existissem tantas coisas legais diferentes no mundo, não haveria tanta gente também diferente para nos dar a oportunidade de experimentá-las a todas elas. Fazer as coisas que o outro gosta vale a pena tentar. Sim. Eu acredito nisso. Pela felicidade do outro, pela sua felicidade, pelo companheirismo... porque não teria graça um mundo de pessoas iguais nem um mundo mais individualista ainda. Experimentar coisas não tão legais é bom também, fornece parâmetro, ensina valores.

Eu não posso responder o por quê da minha ausência de sensação de paz, ou melhor, da minha consciência a respeito disso.Não posso responder com plena convicção, mas tenho lá meus palpites... uns compartilháveis, uns íntimos, uns que tenho preguiça de ficar explicando... acho que é multifatorial.




Acredito que estamos aqui, no mundo, para aprender, para ensinar (por que não?), para compartilhar experiências. Para nos tornamos pessoas melhores. Sim. Mas melhores do que quem? Do que nós éramos? Quando? Do que os outros? Que outros?

Acho que isso aqui não é concurso público! hahaha Não estamos concorrendo para ver quem é melhor. Mas é tipo um "ano letivo", temos que dar o nosso melhor, tirar a nossa nota mínima de aprovação... eu acredito em auto-aprovação... não em aprovação divina. Acho que Abba não tem qualidades e vícios humanos do tipo orgulho, vergonha, ofensa... Se tiver bom para a gente, está bom para ele. Então, pela minha lógica, nós temos que passar "de ano" conforme nosso potencial. E se existisse uma média? Média 5!? Bastaria um 5? Isso deixaria você em paz? Feliz? Se sim... então tá. Por hoje basta. Acho que independente da média, o que importa é o aluno. Um 5 para um aluno 4 é mais que 10.

Eu sempre fui nerdzinha... CDF, sabem? Na faculdade uma vez o professor de filosofia do direito passou uma programa gigante de estudo... na hora da prova só havia uma questão: "que nota você acha que merece tirar e por que?". Coloquei que merecia tirar um 10 porque havia estudado para tirar 10, e não 9. Essa sou eu. Pois é. Só que eu acho que na vida eu não tenho estudado para tirar 10 em toda prova... em toda matéria... e aí fico com essa "coisa". Posso até tirar boas notas... mas eu merecia?! Tipo fazer por onde... E isso não me deixa tão em paz assim.

E o que faz um aluno nota 10? Quem é ele? É o Stevie Jobs ou o Chico Xavier ou quem!? 

Um dia eu li a história de um grande sábio grego que viveu muuuuuuitos anos, mais do que a maioria dos sábios viviam e do que os homens de seu tempo. Ele se dedicou durante tooooda a vida a estudar filosofia, arte, música, ciência, línguas. Era um homem tão culto que se dizia que não havia outro como ele. Para poder estudar e aprender o máximo, se isolou e durante todo o tempo que viveu, esteve na companhia de estudiosos e de livros, mal falava... Um dia, perto do fim, lhe chamaram para que visse uma pessoa que tinha sido próxima a ele na juventude, alguém por quem um dia nutriu grande afeto. Essa pessoa estava doente, sofrendo muitas dores em seu leito de morte e lhe implorou: "Consola-me, conforta-me, diz-me palavras doces para que eu saiba que ainda me amas". E então, estupefato, o sábio se deu conta de que não sabia como fazer isso, não sabia como demonstrar sentimentos, como amar e cuidar de outro ser humano. E deixou a seguinte lição: "Construí durante toda minha um único trilho de trem, longo e sólido, mas  solitário. Hoje sei que o trem, para correr, necessita de dois trilhos paralelos. Não me resta tempo, contudo, para que volte ao início de tudo e construa ao lado do primeiro trilho, o segundo. Precisaria, para isso, de outra vida. Perdi toda essa minha existência, é assim que me sinto. Um trem precisa de dois trilhos e eu só construí um trilho para o meu. Sem sentimentos, de nada vale toda a minha inteligência. Falo fluentemente várias línguas, mas fiquei mudo diante do sofrimento."




Penso eu que, para ter paz, seria preciso a consciência de estarmos construindo os dois trilhos do nosso trem. Sem prestigiar um em detrimento do outro. Que teríamos que nos trabalhar como seres humanos em duas frentes: a emocional/moral e a intelectual. Podemos viver na "não não-paz", achando que temos paz porque vivemos a ausência de conflitos, mas quando nos dermos conta de que falta um trilho, saberemos que perdemos um tempo do qual não dispomos mais. Perdemos uma vida. Perderemos tantas "uma vida" bastem até que aprendamos? 

Esse dilema, essa angústia, me rouba "um pouco" a paz. Mas saber que não vivo na ignorância e que, por mais que seja minimamente, sou um ser melhor hoje, do que fui um dia e que, por mais que não possa ir longe, meu trem pode se adiantar um pouquinho que seja... porque por mais que estejam desiguais, estou construindo dois trilhos... E isso me dá paz. Me dá momentos de paz. 

Lendo o livro - o livro que mais me tocou nos últimos anos, um dos mais sensacionais que já li - Trem Noturno Para Lisboa, vi a história de um homem que comprou um piano de cauda. Já mais velho olhava para aquele piano como quem olha para um verdugo: o piano era a lembrança constante, era a presença da passagem do tempo. Ei-lo ali com o piano de cauda que nunca aprendeu a tocar e que agora já não tinha tempo de aprender... e que por não ter tempo de aprender, não se dignava a começar... e que por não dignar-se nem sequer a começar, sentia-se cada vez uma fraude maior. Todos temos pianos de cauda, reais ou potenciais. O fato de não podermos mais nos tornar (notórios) pianistas não significa que não possamos nos tornar (dedicados) alunos.

Isso lembra aquele poema que se atribui a Eduardo Alves Costa:



No caminho com Maiakóvski

"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"

É isso! A ausência de si mesmo. A inércia. O acovardamento diante da vida. Ser um aluno nota 5 quando você é um aluno nota 10. Isso é brabo.

A paz é, basicamente, um estado de espírito. É a certeza de que não somos devedores para conosco, ou o esquecimento de que somos. Da mesma forma que não se pode impôr ao homem o sentimento de inferioridade, não se lhe pode jamais roubar a paz. É uma daquelas coisas em que somos nós a nos espoliarmos, somos nós os carrascos, nunca o outro. O outro somente leva a culpa.


E com você? Tudo na santa PAZ? ;)








A Paz
Gilberto Gil

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sincericídio à parte, sinceramente, viu?!


Ontem li um artigo do Ivan Martins na Época on line sobre sincericídio (http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ivan-martins/noticia/2012/07/sincericidio.html).

O tal artigo do sincericidio falava de uma visão bem venal, banal da coisa, com foco exclusivamente em relacionamento... não NA VIDA como um todo.

Fiquei pensando... (Oooohhhhh!!!! Eu pensando?!) existe o sincericídio "homicida" que visa matar o outro do coração... e existe o "suicida" que é você mesmo se destruindo. Que coisa esquisita essa compulsão de ser sincero demais, por motivos nobres, vaidade, escárnio ou sarcasmo, para chocar e para testar, porque sim... e "por que não?".

Sincericídio não é ficar fazendo ciuminho pro namorado/namorada. Se promovendo e coisa e tal. E aquela velha história do "Amiga do céu, como te deixaram sair na rua horrorosa desse jeito hoje? No dia em que você me vir assim me despacha de volta pra casa correndo porque eu não vou estar nada bem." É aquele "É meu amigo, se ela te traiu é porque não gosta de você mesmo. Todo mundo sabe que ela ficou com o fulano." "Estuda, estuda e se esforça porque senão você não passa nem no raio da prova pra GARI, Fulaninho!" "Olha, me desculpa, mas a sua vida está uma bosta - e está mesmo - mas a culpa é sua, que está aí vendo o tempo passar e se tornando 10% da pessoa que poderia ser." "Que preguiça que eu tô de te aguentar, hoje! Se você soubesse nem falava comigo..." "Eu não te cumprimentei porque fiquei com vergonha, tal era o seu estado quando você chegou, pelo amor de Deus, Siclano!" "Essa mulher é uma gata! Linda, inteligente e divertida, e se você não agir feito homem, ajo eu! Melhor eu, que sou seu amigo, do que o vizinho!" "Não vou ao almoço que não tô com saco de aturar a família alheia hoje!" "Quando você for metade da pessoa que eu sou, você pode vir me dar lição de moral" "Eu tenho pena de você."

Quem quiser que fale mal. Todo mundo é sincericida em alguma medida. Uns são sem querer, querendo, na verdade só estão em busca de se promover ou de magoar o outro (que era bem o tema do artigo). Outros usam isso como ferramenta de espezinhamento social recreativo... Outros usam - ou acham que usam - como utensílio educador, mais eficiente do que a palmada na mão dos alunos com a régua. Tem os que usam porque podem, porque conseguem manusear tão bem as palavras... usam para ver se as pessoas conseguem captar a sutileza de sua sinceridade, ora homicida, ora suicida. São assassinos e kamikases vernaculares.

As palavras são armas poderosas. Têm efeitos devassadores. Sorte que aqueles mais sujeitos a sofrê-los, os efeitos das palavras, são exatamente os que costumam empunhá-las. Que vença o melhor quando dois sincericidas resolvem se confrontar... porque então ocorrerá um duelo do qual decorrerá ou uma amizade, ou um desastre.

Sinceramente? Não dou a mínima se todo mundo concorda comigo ou não. Escrever é falar sem ser interrompido. "Fuck U, vc".

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O superherói que há em você e essa tal auto-sabotagem.


"Felicidade é estar de acordo consigo mesmo".
Luis Buñel



Eu, você, todos nós e cada um de nós somos pessoas excepcionais. Fantásticas. Master mega blaster ultra power jason jobster wong crazy wow!



Temos algo que nos torna únicos no meio da multidão, especiais, distintos e insubstituíveis. Dignos de muito amor e de muita felicidade.

Sim, somos iguais. Não somos melhores que ninguém. Mas também sim, somos todos diferentes. Merecemos atenção, afeto e reconhecimento. Merecemos sermos amados e valorizados e temos também que entregar ao outro esse nosso tesouro, nosso "elixir" secreto, essa nossa "coisa" que depois que ele - o outro - provar, entenderá o quanto somos especiais e irá nos olhar como criaturas inigualáveis. É como disse a raposa, no Pequeno Príncipe, "quando cativas alguém, te tornas único no mundo para ele, e ele único no mundo para ti".

E isso é com mãe, pai, irmão, amigo, vizinho, professora, babá, namorado, sogra, com todo mundo. Cativar é exercício contínuo.



Tudo muito bem, muito bom... E aí a gente se decepciona, se ressente, se encabrunha. Claro! Porque faz parte. É natural... é decorrência de estar vivo, de respirar. Não é banal, nem devemos ser indiferentes a isto. Só que irá acontecer.

E aí vem aquela velha história: o importante não é o que acontece a você, é o que acontece com você quando algo acontece com você. Isto é, é como você irá sair destas experiências, sejam negativas e até sejam positivas.

Dizem que "cachorro mordido de cobra tem medo de pau".



Tem uns que não. Mas deviam. E tem uns que sim... mas também é demais... putz! É só um pau! Entende? Uma experiência ruim deve deixar a pessoa mais ressabiada? Beleza? Mas não deve impedí-la de viver. Pelo menos de navegar.. hahahahaha "Navegar é preciso, viver não é preciso..."

Por que estou escrevendo hoje? Estava pensando... eu sou um "cachorro" meio sem noção. Teve ocasiões na minha vida nas quais pensei: "não preciso passar por isso", "não vou mais passar por isso", "se isso voltar a me acontecer eu vaso!" hahahahaha E o que eu fiz quando voltou a me acontecer? Nada. Fiquei lá.. vendo se a cobra ia picar mesmo... se não era um pau.

Então resolvi escrever. Escrever sobre as oportunidades que temos de sermos felizes. De sermos queridos, de conquistarmos coisas boas. Sobre o tanto de pessoas com as quais cruzamos nas nossas vidas que querem a nossa felicidade, o nosso sucesso, o nosso amor. Resolvi escrever sobre isso para mim e para vocês, para que pensemos sobre isso um pouco. Para que tenhamos um pouco de consciência a respeito da infinidade de oportunidades que Abba põe em nossas frentes de que toquemos o céu.

Por que tantas vezes viramos as costas a tantas destas coisas para insistir naquilo que não é tão bom? Naquilo que não é tão possível? Não que seja ruim. Não que seja mau. Mas não está ao nosso alcance e nós sabemos. Mas queremos insistir no que não é nosso, no que não podemos ter. Deixamos de aproveitar oportunidades reais, de buscar coisas palpáveis, e pra quê? Pra insistir em "possibilidades" cujos resultados, sendo francos, já vislumbramos. Não. Para nos sentirmos insuficientes, falhos, fracassados. E nós somos excepcionais! Somos fantásticos. Somos milagres.

Sabotagem. Auto-sabotagem. Chega.

Nascemos para sermos felizes. Não digo plenamente felizes. Mas felizes. Placidamente felizes. Regularmente felizes. E isso não é muito mais do que poderíamos pedir? E não é mais do que muitos temos? E não é exatamente o que buscamos? E por que a sabotagem? Por que sistematicamente abrir mão disso? Por que acordar triste pela manhã sentindo falta de algo que não se sabe nomear? Uma saudade estranha?


Pois é possível nomear. Saudade de sentir-se feliz. De encontrar-se em si mesmo. De não estar se ferindo em sabotar o próprio espírito. Chega! Todo mundo já foi feliz assim, sem estar ferindo a si mesmo, e sabe do que estou falando. Todo mundo já acordou um dia se sentindo estranhamente feliz... inexplicavelmente bem... rindo à toa! Tão boooom! Uma sensação de "fazer parte"... de que ia ficar tudo bem. E por que a maior parte da nossa vida tem que ser o contrário disso?

Se um dia você jurou que não iria mais se submeter a uma situação de tristeza desmerecida. Se não ia mais esperar pelo que não vem... Procure se lebrar quando for necessário e cumpra com o prometido! Eu sei o que é isso. E sei que é difícil. Aaah se sei! Porque sempre achamos que iremos entortar o ferro. Que iremos vencer os desafios. Somos ninja! Mas a questão é exatamente essa: não precisamos disso. Não é mais gostoso assim. Não é mais bonito assim. Não tem mais mérito assim. Assim só dói mais e funciona menos. Só.

Os sentimentos, as companhias, os reconhecimentos... devem ser espontâneos. Assim que é bom. Assim que faz bem! Quando é sossegado, fácil, natural, beleza da creuza. Paremos de nos enganar. De PERDER tempo. De ser bobos, trouxas. A melhor hora para ser feliz? Agora! Ontem! Já!

Sorrir! Amar! Estar perto! Ter certeza! Segurança! Fé! Companheirismo! Amizade! Entendimento! Que delícia!


Vinícius de Moraes disse: "amigos não encontramos, reconhecemos". E se isso é a mais pura verdade com os amigos... que são uma espécie de amor, imagine com o amor-amor, que é outro amor... não precisa fazer ginástica, nem subir montanha, nem ter paciência.. precisa mesmo É DE TER. Quem não tem, não tem e pronto. Aceite e siga sua vida. É fácil? Não! Não é. Mas é inteligente. E por que tanta gente inteligente fica tão estúpida nessa hora? Não sei. Eu também! Por que achamos sempre, em tudo na vida, "que comigo vai ser diferente"? Mas NÃO vai! "Eu não vou sofrer acidente", "Eu não vou tirar zero na prova", "Meus pais não vão morrer", "Meu coração não vai partir", "Eu, ele vai aprender a amar", "A mim ela não vai trair"... Meeeeeeeeu amigo!!!!

E o que isso muda? Nada. Porque ninguém é especial nesse sentido que você quer. Você vai sofrer um acidente se beber, vai tirar zero se não estudar, seus pais vão morrer, ele vai quebrar seu coração porque ele gosta dela, ela vai te chifrar porque ela chifrou todos os outros. É a VIDA. Com você não é diferente porque você não tem o poder de mudar o outro nem de mudar a ordem natural das coisas...  Lei da ação e reação.
Nós temos que mudar o que depende de nós. Ninguém muda o outro. Quer mudar o mundo? Muda naquilo que depende de você... Ao seu redor! O seu mundo! O outro não é o seu mundo. Hel-low! Sacou? Claro que você consegue, afinal você é uma pessoa fantástica! Lembra? Você é o Cara! Filho ou filha do Cara! Irmão ou irmã do Cara.. de J.C... Jesus Man! Bota quente e mostra que você não veio no mundo a passeio. Toma as rédeas da sua vida e vá ser feliz agora! Right now! Yes U Can. Obama pôde, todo mundo pode! hhuahuahuahuahua

Você pode passar num concurso, na OAB, se curar de um câncer, encontrar o amor da sua vida, ter a casa dos seus sonhos, o emprego que você merece, o corpo que você sonha, TV a cabo! hahahaha SIM! Tudo isso e muito mais! Terminar a monografia, ser ministro do STJ, mudar de cidade, ter filhos, comprar um cachorro, viajar o mundo! Quer? Começa agora. Mexe o seu popozão! Parado é que não dá! Estuda, termina esse relacionado frustrado, trabalha duro, joga na megasena. vai correr, malhar, enfim! Dá duro, mermão, que as coisas não caem do céu! Pare de se sabotar pelo amor de DEEEEUSSS! Corre atrás que "o que é do homem o bicho não come". O que é seu está guardado, mas vai ficar guardado, a menos que você vá lá buscar! Não vem numa bandeja não... nem cai do céu. E se fosse assim, bááá! Se fosse assim a gente sabe bem, né? O ditado não é "de graça até bilhete premiado"... ninguém fala bem do que é de graça. Go and get it, baby!


Tem que dar duro! Rebolar! Meter a cara! Sair da zona de conforto... tem que dar o sangue, e enxugar o suor... não é só beber a cerveja.



A vida é bela. É MARA! O céu é azul, temos água, comida, energia. Saúde? Nem todos temos o tanto que gostaríamos, mas temos que baste para corrermos atrás! Dinheiro? Nem todos temos o tanto que gostaríamos, mas temos suficiente que baste para multiplicarmos se batalharmos. Amor? Podemos não ter de quem queríamos ou tanto quanto achemos (ou de fato) mereçamos, mas existe um mudo de gente aí disposta a nos dar amor e, no entanto, estamos fechados, esperando por quem já sabemos que não tem disposição... quem está errado: quem não nos ama ou nós? Sucesso? É um investimento! Estudos, trabalho, dinheiro, viagens, TV a cabo, casa, carro novo? Nada disso cai do céu! Tô falando alguma novidade? Não é como se eu fosse uma "gênia" e tivesse descoberto um novo continente ou a antimatéria!!!


Sabe? Ninguém NUNCA disse que era fácil. É difícil pra caray. Maaas, quando não desistimos... PUTZ! Coooomo vale a pena. É a diferença entre estar vivo e viver.

Esses dias uma pessoa me perguntou se eu gosto de viver. Bom. Eu respondi que depende. Hahahahaha E aí essa pessoa sorriu e disse que desistia. A verdade é que "estar vivo" é legalzinho. Sabe? Depende bastante do que a pessoa acredita também... mas para estar vivo ser massa, viver tem que ser muito bom. Eu gosto de viver. Sim. Só que a verdadeira pergunta que ele estava me fazendo, naquele contexto, era se eu gosto de estar viva... aí que depende. De viver eu gosto pra cacete! E aí? Eu tenho vivido? Huuuum. Menos do que um dia... sabem? Me dei conta disso. Tô vivendo menos. Viver e ser feliz estão bem próximos, sabem? Viver, meramente tentar viver, faz a gente feliz. E quando se vive, é bom estar vivo. Estar vivo te proporciona viver. Senão, tudo não passa de existir... e existir... não tem graça nenhuma. Uma pedra existe, e um copo, e uma flor. Existe beleza, existe propósito, mas não existe "joy". Pode até existir "vida", mas, e Abba me perdoe, eu sou ambiciosa demais para existir: eu quero extrair e espalhar felicidade.... pode até ser sem propósito.

E eu tô falando isso porque aplico todos esses conceitos revolucionários à minha vida? NÃO! Estou falando porque: primeiro!!! Falar alivia dores emocionais.. já dizia o velho, bom e disgramado do Shakespeare. Segundo... porque parece que a gente esquece esses trens de vez em quando. Já que ninguém vem, me bate na cara e me fala essas coisas, eu mesma me falo, que é meio que uma tapa de luva de pelica... se bem que eu precisava mesmo era de uma marretada na cabeça com uma barra de ferro cravada de prego enferrujado! Trem que não aprende nunca, eu!!! Afeeee! Bichinha mais teimosa! Cabeça dura... bicuda, bocó!


Quantas vezes tomei a resolução de não insistir no que não vale a pena e não me faz feliz? Nem sei! Perdi as contas! E quantas vezes insisti mesmo assim? Ráááaáá´! Paciência! Não sou menos linda maravilhosa mega power blaster extra plus por causa disso. Sou apenas humana. Isso pressupõe lerdesa e necessidade de apanhar na cara mesmo! hehehehehe E lá vamos nós! "Abençoados por Deus e bonitos por natureza, mas que beleza, em fevereiro tem carnaval... Eu posso não ser um band leader, pois é, mas assim mesmo lá em casa todos meus amigos, meus camaradinhas me respeitam, pois é, essa é a razão da simpatia do poder, do algo mais e da alegria".

Pois muito bem. Estamos na metade de julho. E julho é a metade de 2012. O ano está voando, que é o que os anos fazem: eles voam. E nós estamos fazendo o que? Nada. E não é nadando (o que os peixes fazem), é nadando do verbo fazer NADA mesmo, que é o que as pessoas lerdas e tapadas fazem.



Bom. Tudo muito lindo (cof, cof), muito bem (cof, cof, cof), mas é hora de ACORDAR! Acordar pra J.C. - Jesus Cristo da Silva, acordar pra cuspir, acordar pra bater e até para apanhar. A-cor-dar!

Dá tempo de um monte de coisa. Sabe? De correr atrás! O passo número um é assumir o que é que queremos... ou pelo menos o que não queremos? Quais são as coisas das quais não abrimos mão por mera conveniência, mas que sabemos que não nos fazem bem? No que estamos nadando contra a maré e precisamos abrir mão para começar a ser felizes? As vezes insistir naquilo que sabemos que não é para ser nosso é muita perda de tempo... tempo que poderíamos estar descobrindo coisas novas, conhecendo pessoas, NOS conhecendo, NOS curtindo! Ora, se você não se curte, prefere ficar insistindo numa circunstância na qual não está sendo valorizado, está enviando uma mensagem ao Universo de que não vale a pena te curtir, investir em você: nem você mesmo se curte! Prefere ficar perdendo tempo. Sacou? Campanha de combate à auto-sabotagem! Right Now! Right Here! Presta atenção ao leriado, saca só : tão me dando valor? BEM! Não tão? AMÉM! Beijo e não me liga!

É fácil? Não!!!! É flórida! Complicado demais... E a gente escolhe do que gosta? E é fácil deixar o conhecido, o cômodo? Nããããooooo! oh God! Huum... E valer a pena? Vale a pena? Sim. Oh yes!  Como tudo que é difícil.



Não dá pra sair assim, mudar assim... no grito? Beleza. É justo.Vai se preparando. Se imunizando. Pensa nas vantagens da sua nova vida. Nas coisas boas que te esperam... em tudo aquilo que você está abrindo mão hoje e que não vai mais precisar deixar de fazer depois... nas pessoas que não está conhecendo, nas viagens que não está fazendo, no tempo que não está dedicando a você... isso fortalece muito a pessoa. Pense daqui a cinco anos. Três anos. Pense como as perspectivas melhoram quando você toma uma atitude pro seu bem! Pense como elas melhoram mais rápido quando você toma uma atitude mais rápido... porque as mudanças chegam antes! Mudanças boas. Pense que irá malhar e ficar saradones... pense que fará amizades, que sempre existem sensações a serem vividas...  Sim, você está se privando de coisas também. Se privar é válido, desde que você esteja feliz. Não está? Então não vale. Fomos feitos para sermos felizes. FELIZES.

Então vai lá, levanta, sacode a poeira e comece hoje mesmo o resto da sua vida. Depois se você esquecer, se vocês esquecerem ou se eu esquecer e começarmos a fazer asneiras outra vez... no problems: vamos tuuuuuuudo de novo... E tantas vezes quantas forem necessárias para que viver valha a pena. Né não?

A gente merece e a gente há de ser feliz, amado, surpreendido positivamente. Basta tomar essa decisão. Isso não é sorte, é uma decisão.




"Você nunca será feliz se continuar buscando saber em que consiste a felicidade; você nunca viverá se continuar buscando o sentido da vida."
Albert Camus



Nem quero mais ter razão! Mané ter razão! hahahahahaha Quero ser feliz. Até dizem que eu me acho a dona da verdade e eu respondo (rsrsrsrs): "Não tenho culpa se estou sempre certa... não é de propósito" Falta eu dizer que preferia mil vezes estar errada e viver FELIZ FELIZ FELIZ igual pinto no lixo.

Você sabem que Abba é muito meu chapa. O melhor pai que eu poderia ter. E Ele sempre quebra meus galhos e cuida tão bem de mim que até me deixa meio mimada. Não posso reclamar. Tenho uma vida muito privilegiada e estou em muitas coisas num momento muito abençoado. Agora é só extrair desse meu momento todas as alegrias e oportunidades que ele me propicia. Principalmente estudando e cuidando da minha saúde. Mente e espírito. O resto vem muito em consequência. A gente tem que parar com essa mania feia de não se cuidar e, como se não bastasse, detonar o emocional com pensamentos e atitudes que não nos levam pra frente. FALA SÉRIO! Se entre você e a sua felicidade IMEDIATA falta uma atitude SUA, então de quem é a culpa por você não estar feliz? De Fulano que não é! Capisce? Para de ser besta! kkkkkk

Se as coisas (ainda) não são como deveriam, se não são perfeitas... tá tudo bem. Tá tudo bem mesmo. Viu? Tudo bem. Eeeei! Tudo bem. Fica numa boa. Ninguém precisa ser perfeito. Ninguém precisa ganhar um Pulitzer nem um Nobel. Tá tudo beeeem. Estamos aqui. Cada dia é uma nova oportunidade. Não deu hoje? Tem amanhã... tem depois.. tem depois. Um ano é pouco? E 10? E 50? E 80? A melhor hora? É a sua. Tudo a seu momento. SEU momento. Não o MEU, o SEU. Então sinta-se bem. Respire, se reconcilie consigo mesmo. Sinta-se grato. Simplesmente grato. Pelo que? Pelo tempo. Pelo ar. Pelos dias. Pela oportunidade de estar aqui e de fazer com essa "estadia", com a sua vida, o que quiser. E então, considere a ideia de pensar em ser feliz.


Então, é isso! Sinta-se linda ou lindo. Esperta ou esperto. Abençoada ou abençoado. Feliz! Porque você é! Sim! SIIIIIIM! A diferença, muitas vezes, entre vivenciarmos ou não uma sensação é, simplesmente, nos darmos conta. A distância é um mero pensamento. No mais: não "nademos". Andemos, corramos, nos arrastemos, mas chega de nadar. Ser heróis - e lá vem Shakespeare novamente - não é ter um superpoder, é fazer o que é preciso ser feito, enfrentando as consequências. Cresçamos! Sejamos os nossos heróis. Nos salvemos. Esperar pelo outro não vai resolver. Superman, mulher maravilha ou lanterna verde, cada um tem sua vida para cuidar.


Existe um herói em você (por incrível que pareça?). E existe um vilão, que é danado pra conseguir aplicar o golpe dessa tal auto-sabotagem. Ainda bem que dizem que, no final, o bem sempre vence o mal. Se não venceu ainda, é porque não chegou no final.




"A liberdade não existe, mas a busca pela felicidade sim, e é esta busca que nos faz livres."
Carlos Fuentes



sexta-feira, 13 de abril de 2012

É mais ou menos assim...



A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.


A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.


A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...

TUDOBEM!


O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...


É amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.


Senão a gente corre o risco de nos tornarmos uma pessoa mais ou menos.


Por Chico Xavier

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Superexigir...



“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

(Clarisse Linspector)

Soneto de Véspera

(Vina de Moraes)




Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No fim, todas as idéias de uma mente pensante se completam...

...só é preciso esperar que tomem forma uma a uma para que possam vir ao mundo fazer companhia às anteriores. 





É como um círculo que vai se fechando em seu devido tempo. 
Creio eu...

LUZ, CÂMERA, AÇÃO!!! (Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuun!)


"O último dia do ano não é o último dia do tempo." 
Carlos Drummond de Andrade




10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... Gravando!!!


That's it! O ano de 2012 está valendo e não é possível fazer cortes, remakes ou edições. Ou você faz direito, ou você faz médio, ou você faz merda... ou você não fez e ficou por isso mesmo.

Isso porque o tempo, segundo Sêneca, é a única coisa que não se pode devolver. E não pode mesmo. Ele não volta. 


"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra." 
Mario Lago


"A vida toma muito tempo ao homem." 
Stanislaw Jerzy Lec
 


Mas será que para que algo novo comece é necessário que "outro algo" termine?

Estamos no início de 2012. Ano novo. Em parte é começo, em parte é continuação, em parte é fim. Acho que muitas vezes nas nossas vidas nos deparamos com momentos como esse - de (re)começo-, mas a diferença é que, ao contrário do início de um ano, esses momentos costumam ser mais sutis, menos impregnados de reflexões, esperanças, medos e expectativas.

Tive vontade de escrever um post no final do ano passado, mas por um motivo aqui outro acolá, nunca conseguia parar tempo suficiente (sempre o tempo!!!). Cheguei a começar a elaborá-lo mentalmente, como acontece com muitos posts, mas não posso dizer como seria porque geralmente minhas oficinas mentais geram protótipos muuuuito diferentes dos que coloco em exposição na minha galeria virtual chamada "blog".

Pensei que seria como uma carta para o Papai Noel: "Querido Papai Noel, É o seguinte..."


Nem bem o ano virou e esta carta já possui um apelo muito diferente ao meu coração daquele que teria há um mês! Tipo... há um mês eu não diria ao Papai Noel que precisava de uma injeção que fizesse a pessoa enxergar o mal que ela é capaz de fazer ao outro que ela deveria era cuidar (o que faz mal a ela também, né?)... ou de uma máquina de fazer dinheiro, mas não ilimitado, só uma quantia "x" pra dar pra uma pessoa pra ela não ficar com raiva nem brigar com outra por dinheiro... acho isso o fim do fim do final da picada. Muito triste.

Mas eu não sabia que ia precisar dessas coisas há um mês. E mesmo que soubesse, cadê a carta?!

A carta que nunca escrevi! Só uma cláusula pétrea da carta permanece igualmente importante pra mim: preciso que seja descoberto um pomar cheio de árvores, muitas árvores mesmo... e que estas árvores estejam abarrotadas de frutos e que estes frutos sejam repletos de sementes e que estas sementes carreguem a cura para o câncer. Preciso que todo mundo tenha acesso a estas sementes e que todos possam plantá-las em todos os lugares... e tê-las em casa nem que seja sob a forma de bonsai. 

"Querido Papai Noel, em tempo!"


É ok pedir algo que vai me beneficiar muitíssimo, se eu não tiver conseguido ainda ser a melhor pessoa que poderia ser? Preciso manter junto de mim uma pessoa importante, e preciso não me sentir mal sabendo que além de mim, todas as Dudas do mundo poderão manter junto de si pessoas importantes também. Sei que é muito egoísmo meu querer manter uma amizade especial junto de mim e, assim, evitar que ela vá encher de energia lá o céu... sei que é muito egoísmo não querer sentir remorso por ser beneficiada em detrimento de todo mundo... mas será que, considerando que existem muitas pessoas por aí que ficariam hiper mega felizes com essas sementes... não teria como quebrar meu galho? Será que é ser muito mala mencionar essas pessoas mais legais pra conseguir o meu presente de natal?

Aiii! Difícil demais ser uma pessoa boa boa boooa mesmo, né? 

Então!

Bom! A gente tem que tentar. É o mínimo que podemos fazer.

Dizem que a vida é cíclica. Daí porque sempre estaríamos num processo contínuo de existência e aprendizado. Estamos vivendo o resultado das escolhas que fizemos e também das que deixamos de fazer. Estamos amadurecendo, cada um no seu ritmo, moral e intelectualmente. Estamos desbravando novos caminhos, ou perseverando nos caminhos em que nos encontrávamos, estamos andando em círculos, de lado ou até mesmo em marcha ré... Estamos seguindo, isto é, vindo "de" e indo "para".

A extensão desse ciclo? Ula-lá! Fica a critério da imaginação de cada um. A eternidade e a infinitude da alma humana são os possíveis "limites". Fica a dica...

Maaaas... contudo, entretanto, nada obstante... No decurso deste grande ciclo, desta grande jornada... muitas etapas se cumprem. É como o velho e batido jargão que fala que as vezes se perde a batalha, mas se vence a guerra (algo assim). Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

E, sim, as etapas podem - ou não - coincidir, por exemplo, com os anos. É como eu disse na frase que inaugurou o blog, né? De Carlos Drummond.

Então! Mas para algumas pessoas 2012 pode marcar o fim de uma etapa anterior e sinalizar o início de uma nova etapa. Por que não? E quantas etapas caberiam em um ano? Como mensurá-las? Quem ousaria limitá-las? Qual a relação entre o tempo e o viver? O tempo cronológico? Quanto de vida cabe em quanto de tempo? 

Vejam bem. Pode-se viver um "nada" de coisas em um "mundo" de tempo... e igualmente pode-se viver um "mundo" de coisas em um "nada" de tempo. Depende! Tudo depende!!!!


"Não adianta correr, precisa sair em tempo."
Aesop

Ontem estava pensando que as vezes, não sei se se requer modéstia ou falta de modéstia para tanto, me sinto meio Forrest. Forrest Gump, sabem? Tom Hanks? Do filme?





Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest! Run Forrest, ruuuuuuuuun!


Run... "só mas um pouquinho!"

Nossa.

Esse pouquinho que mata!

Tive até a presunção de achar que a minha vida daria um filme muito do "assistível". Sim. Acho que daria.

Claro que seria muito mais legal se fosse o tipo de filme taxado como ação ou aventura ou até mesmo romance. Mas acho que não teria como escapar do drama.



Se tive uma vida emocionante?

É uma forma de se colocar... sem dúvida. Digamos que tive uma vida igual à de muita gente, mas acho que por trechos. Talvez isso aconteça muito e muitas pessoas tenham vidas que dariam filmes assistíveis... Só que foram muitos os trechos da minha vida - acredito eu, do alto da minha experiência de roteirista e diretora de cinema - que poderiam ser "scriptados", quer dizer... que seriam dignos de filmagem... sei lá! Tô viajando.

É que em tantas ocasiões aprendi coisas importantes ou vivi situações muito marcantes... ou cometi erros tremendos que acho importante que as pessoas vejam para que jamaaaaaaaaais repitam! Ou fui vítima de tais erros! Em tantas ocasiões banquei a boba... ou dei a mão para ajudar ao bobo. Ou tive que ser mais forte do que se acreditava que eu poderia (ou eu acreditava), ou achei que tinha que ser forte e não tinha coisa nenhuma... Mas foram momentos tão.. hum... dramáticos mesmo! kkkkkkk Enfim!!! É isso... Não sei se sofri mais do que DEVERIA, porque "sentimental eu sou, eu sou demais... e sei que sou assim porque assim ela me faz"... apesar de que acho que quando era mais nova era bem durona... fruto da síndrome de "provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém".

É que eu fui tão precoce. Mas tanto... que só depois de adulta, lá pelos meus vinte e poucos anos, fui ser criança. Fiquei com isso mal resolvido, mal vivido. Na quinta série o que eu mais gostava de fazer era ler sobre reforma agrária. hahahahaaha "Te meeeeeete!" Vê se tem cabimento uma coisa dessas? Pois é.

E falando em todas essas memórias, a Revista Super Interessante afirma que a vida é representada para nós como um conjunto delas (as memórias) já que o presente teria a duração científica de 3 segundos (Uuurrrraaaa!!!) e literalmente nós viveríamos de passado mesmo. É mole? Quem lembra que eu disse que é a maior besteira afirmar que "quem vive de passado é museu" porque todo mundo vive de passado meeeeeermo? Estão vendo??? hahahahaha

Nã nã nã nã nãaaannn! Estou cientificamente endossada! =)



A diferença é que a Super Interessante demonstra o quanto que nós manipulamos nossas memórias (Aaannnhããããm!!! Eu acredito nisso! Tem gente que só pode manipular mesmo pra afirmar com tanta veemência tanto absurdo!) e que podemos optar entre manipulá-las para o nosso bem ou para o mal. Optar também a respeito das memórias que queremos armazenar e até mesmo contribuir para a formação destas.Trocando em miúdos, a gente lembra do que quer, como quer, ressalvado o fato de que alguns eventos são mais propícios a serem armazenados no nosso HD.



Mas aqui estou eu divagando e me afastando um tantinho do tema do post... ai ai ai.

Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuuun!

Em alguns momentos estamos em franca corrida, né? Super running Forests... Alguém até já gritou o último "ruuuuuuuuuuun"... o fôlego tá no fim (Fôlego? Que fôlego?). E aí eu tento focar em Shakespeare: "E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais."

Noooosssaaa!!! Que raiva que dá de Shakespeare nessa hora!!!! "Mermão! Não posso suportar mais coisa nenhuma!!! Que saco!" Mas será? Será que não podemos? "Vou? Não vou? Vou? Não vou?"

E resolvemos correr só mais um pouquinho. Só até o próximo poste. Só mais 10 passos. Só outros 10. E quando nos damos conta... chegamos. E o infeliz do Shakespeare tinha razão. A disgrama! Mas a gente sabia, não sabia? Huuuum... saaaaaabia! Devia saber. Lá num fundo tão fundo que não dava nem pra ver, a gente sabiiiiiia.

Eapois!

Eu, pelo menos, entrei 2012 numa dúvida danada. Não sei se estou terminando ou se estou começando uma corrida. Ou será que as duas alternativas estão corretas? Afe! Duas corridas assim?! Canseira... Mas e o jeito?!

Me sinto tipo isso mesmo.

Embora sinta que estou saindo de uma corrida super difícil rumo à seguinte, tipo... a faixa de chegada da anterior é a largada da próxima (já pensou!?)... sei que não é bem beeem beeeem assim! Agora que - por sorte ou conveniência do destino - li a Super Interessante, descobri que isso ocorre porque meu cérebro registra só os eventos mais intensos, e o cansaço que me acomete nos últimos metros, sem sombras de dúvidas, são super intensos... e também a ansiedade que me tortura nos instantes pré maratona... afe.

Mas sei que tive meus breaks em 2011. Meus momentos ótimos. Minhas conquistas e coisas excepcionalmente boas que me aconteceram.

De todo modo. Hoje, agora, neste momento de my life é por aí mesmo: 2011 foi um ano DAQUELES... e 2012 tá começando DAQUELE jeito. Aí já viu, né??? E não é "privilégio" meu não, hein? Olho para os lados - os DOIS lados - e vejo companheiros de vida e de maratona... suando a camisa... SUAAAAAAAANDO a camisa... língua de fora... olhos esbugalhados e no olhar deles vejo estampadas as mesmas perguntas que me repito constantemente: Vai dar?! Eu dou conta?! E o mesmo medo inquietante de se descobrir - ou se ver descoberto - uma grandessíssima fraude... porque todo mundo DIZ que espera tanto deles e eles se acham capazes de tão menos. Ou será que secretamente as pessoas sabem que eles não aguentam e já se decepcionaram com o pouco que eles acreditam ter conquistado? Será? Será que tanto sacrifício não é mais para "conquistar" nem para "manter", mas para "recuperar"? 


E ao mesmo tempo que leio seus pensamentos, que na verdade é como se fossem aqueles lasers de filmes que se cruzam e se cortam pelo ar... nós é que corremos por entre eles... eles é que nos rasgam o corpo e a mente. Enquanto isso acontece, olho em seus rostos e só o que vejo é a determinação que vence o cansaço. Determinação que vence cansaço. Morreeeeeeendo... mas lutando. E sigo junto! Porque nos motivamos uns aos outros com nosso desespero heróico, heróico desespero. Não somos maratonistas que competem entre si pelo primeiro lugar. Não se trata de ganhar ou perder: mas de ganhar ou ganhar. Não existe classificação, existe linha de chegada e pronto.


E chegamos a 2012.


Mas espere!


Mal atravessamos a linha de chegada ouvimos um estampido! Pow! E já foi dada a largada!


Um cara sentado numa cadeirinha de madeira e panos pretos gritou "Silêncio no estúdio... GRAVANDO!" (eu sempre quis dizer isso). A claquete bateu e nem sequer havíamos parado por completo, seguimos.




Só se ouvia os corações batendo em ritmo de percussão.

O silêncio não era, ali, fruto de obediência, mas da ausência de palavras. Só a ausência de palavras é capaz de calar um homem. Tanto havia a ser dito que só restou o mutismo e as caras pasmas que corriam dando início ao ano de 2012.

E para o quê corremos?

Run Forest, run Forest, run Forest, run Forrest, ruuuuun!!!

De que corremos?

Por que corremos?

Em parte corremos em nome do processo de "dar continuidade". Aquela continuidade sobre a qual já falei. Não significa que não paremos nunca de correr e tenhamos um pouco de tempo para caminhar ou passear despreocupados... mas existem momentos e momentos. Enquanto estamos "aqui", em nossas missões de nos tornamos pessoas melhores, de servir ao próximo, sermos bons filhos de nossos pais (todos eles, TODOS...)... o tempo é intolerante e normalmente é preciso correr.

Muitas vezes, penso eu... corremos para fugir e para procurar... mesmo sabendo que são empreitadas insanas. Não se pode fugir de si mesmo e nem procurar longe de nós o que está dentro da gente. É nossa maior e mais constante contradição.

E corremos, muitos de nós, alguns não... nem sei, sendo honesta, se a maioria corre ou deixa quieto... porque queremos tentar. Queremos nos libertar. Queremos sair "dessa" melhores do que entramos. Queremos fazer uma diferença no mundo... Queremos que "os nossos" sintam orgulho de nós. Queremos chegar ao final do arco íris. Queremos acreditar que não é em vão. E precisamos provar nossa tese. Então corremos. Corremos até o fim, acreditando que haverá um fim. Ao menos o fim de uma grande etapa. Uma grande etapa que venha englobar todas estas etapinhas. E aí descansaremos sabendo que a guerra não terminou, mas a batalha está vencida. Talvez seja assim... Talvez venham as etapas, daí as batalhas... e um dia a guerra.

Guerra para que nos tornemos a melhor pessoa que podemos ser. Autoguerra. Win-win ou lose-lose situation. Depende só de se lutar.


É. Melhor se preparar... vestir armas e seguir.





Algumas coisas não dependem de nós.

Mas algumas coisas dependem!

Pelo menos não dependem de nós nós nóooos... eu ou você ou nossos vizinhos, colegas, familiares e amigos.

Meu pedido para Papai Noel, por exemplo.

Pode ser que alguém consiga (e não seja um duende no Polo Norte), ter uma ideia diferente com um resultado parecido. Quem sabe? Pode ser que aí... o que eu pedi dependa desse alguém. E então, será que eu não poderia dizer que a descoberta não seria como a linha de chegada para essa pessoa?



Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuun!!!!

Corremos.

Mantemos em mente nossas expectativas e esperanças. Sonhos e desejos. Tão secretos, algumas vezes tão, mas tãããão secretos, que escondemos até de nós mesmos. Fingimos que corremos por amor à pátria, sei lá!!! Mas estão lá. Imaginamos que um dia iremos nos deparar com uma linha de chegada diferente das anteriores. Imaginamos que iremos correr por pairagens mais verdes, mais azuis... Imaginamos que iremos beber águas mais saborosas e que matarão nossa sede por completo... Imaginamos que nos depararemos com tesouros perdidos, conhecimentos inesperados, pessoas inesquecíveis. Imaginamos que valerá a pena. Que as coisas ruins passarão... e as boas irão prevalecer. E que prevaleceremos nós.


Poeminho do Contra
(Mário Quitana)
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
(Prosa e Verso, 1978)


E começamos. E recomeçamos. De novo e novamente...

Não importa quantas vezes e não importa em que espaço(s) de tempo.

Dói. Confesso que dói. Ou pelo menos incomoda. Quando precisamos recomeçar de supetão. Reclamamos e nos sentimos injustiçados e acabrunhados. Sim...

As vezes achamos que a injustiça está em precisar nos recompormos em apenas 4, 6 ou 8 meses para começar tuuuuudo outra vez. "Pouxa vida!!! Com Fulano e Beltrano está tudo de vento em polpa há tanto tempo! Não estou querendo que ninguém se estrepe! Só estou querendo eu parar de me estrepar! Me aquietar... Curtir uma estabilidade."

Outras vezes achamos que injustiça mesmo é depois de 4, 6 ou 8 anos ter que começarmos tuuuudo outra vez. Quando estávamos tão habituados! "Pouxa vida! Não é justo alguém que se dedicou tanto a alguma coisa ter que recomeçar!" E sempre vai ter alguém há mais tempo que você que não passou pelo que você está passando... ou alguém que está a menos tempo que você... e que você acha que poderia passar por isso no seu lugar... Enfim!

Talvez nos falte confiança. Em Abba. Em nós. Talvez nos falte resignação. Talvez nos falte impulso mesmo... e então tudo muda e vira de ponta cabeça para que nos ponhamos a alçar novos vôos! Vai saber??? Etapas terminam. Etapas começam. E a vida? A vida continua.



Erguemos os olhos, silenciosos, correndo. Eu e meus colegas maratonistas. Respiramos pela boca, diminuímos os passos pois não sabemos o tamanho do percurso que nos aguarda e precisamos poupar energia.

Recuperados do susto com o disparo da largada a o grito do diretor que ecoou por meio do megafone, analisamos a pista de chão firme e rente à nossa frente e, desconfiados, olhamos para os lados.

Nos deparamos com um cenário novo. Novo como o ano novo. Novo como o desafio novo.

Por trás das nuvens que ainda deixam o dia nublado (o que é bom, porque nos protege do sol causticante) vislumbramos um azul que se anuncia. Observamos pessoas que torciam e torcem por nós, contentes com nossa chegada e esperançosas com nossa largada, sorrindo em encorajamento, algumas com os olhos marejados de emoção e afeto. Nos passam mais confiança do que desconfiança. Talvez não esperem nada de nós, ou tanto quanto pensamos ou esperamos nós mesmos. Talvez apenas esperem a nós... É um pensamento tão bom que temos dificuldade em mantê-lo.

É essa mania que temos de achar que "só" você não bastaria a ninguém. Que é preciso um "kit sucesso", "kit eu-venci-na-vida"... Sabemos que é bobagem, mas deliberadamente descartamos e negligenciamos a informação, nos confortando apenas secretamente com os corações acalentados, ainda que por um instante. Para que, em seguida, possamos sair em busca do Santo Graal perdido novamente. Go figure!

O horizonte nada revela, tudo promete. Tudo é possível em 2012. Tudo! Há até um arco íris! Sim. Dá pra imaginar um duende e um pote de ouro ao final. Telepaticamente digo ao duende que melhor faria ajudando Papai Noel com meu presente... ainda tenho esperança. Huuum... peço a Abba também que ajude. Papai Noel e Papai do Céu S.A.!

Quanto ao pote de ouro. Bom... é só uma metáfora, não é? Claro que pode ser transferido para minha conta no BB... hahahahahaha Mas não é que existem coisas que o dinheiro não pode comprar?

Outro dia vi no facebook que dinheiro não traz felicidade, mas leva a gente pra sofrer em Paris. Nada mal... Só que eu não quero sofrer nem aqui nem na China e nem em Paris. Nan nan nin!

Até admito que o pacote seria "master plus elite style" com um dinheirinho dentro, mas caixão não é baú.

Run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuuuuun!!!



Run só mais um bucadim...
Cochilou, cachimbo cai!


Daqui a um tempo, irei olhar para trás e o cenário será outro. Já não poderei avistar 2011, o diretor, as pessoas, a linha de partida.


Com um sorriso nos lábios olho firme em direção ao horizonte e incerta do futuro, mas confiante em mim, no caminho que estou percorrendo e em Deus, dou passos decididos e constantes. Ao meu lado sinto a presença dos meus companheiros de maratona, cada um com sua obstinação, já com seus pensamentos guardados para si. Seguimos, tão juntos e tão separados, cada um rumo ao seu próprio objetivo.

E penso cá comigo: "Feliz Eduarda".

Feliz João, Feliz Maria, Feliz Isabel, Feliz Marina, Feliz Giovanna, Feliz Marden, Feliz César, Feliz Ana, Feliz Rafael, Feliz Beatriz, Feliz Bruno, Feliz Juliana, Feliz Cecília, Feliz Camila e Camilla, Feliz André, Feliz Andressa, Feliz Fábio, Feliz Hugo, Feliz Daiana, Feliz Marcela, Feliz Maíra, Feliz Marcelo, Feliz Rayana, Feliz Aline, Feliz Cinthya, Feliz Faberi, Feliz Fátima, Feliz Luana, Feliz Elza, Feliz Helen, Feliz Jair, Feliz Fabrício, Feliz Diogo, Feliz Mariana, Feliz Felipe, Feliz Helvio, Feliz Polyana, Feliz Liliane, Feliz Hudson, Feliz Jussara, Feliz Júlio, Feliz Francisco, Feliz Rosane, Feliz Tânia, Feliz Simone, Feliz Fernando, Feliz Rogério, Feliz Roberta, Feliz Daniela e Daniella, Feliz Mirian, Feliz Liana, Feliz Vanessa, Feliz Mayza, Feliz Rodrigo, Feliz Eduardo, Feliz Pedro, Feliz Lucas, Feliz Matheus, Feliz Isabela, Feliz Déborah, Feliz Maíra, Feliz Thiago, Feliz Catarina, Feliz Monique, Feliz Sabrina, Feliz Natália, Feliz Sofia, Feliz Cristiano, Feliz Philipe, Feliz Tereza, Feliz Gabriel, Feliz Cláudia, Feliz Gerson, Feliz Thaís, Feliz Priscila, Feliz Ricardo, Feliz Nádia, Feliz Daniel, Feliz Gustavo, Feliz Antônio, Feliz José, Feliz Luís, Feliz Alexandre, Feliz Rubens, Feliz Morgana, Feliz Luciana, Feliz Bruna, Feliz Fernanda, Feliz Amanda, Feliz Patrícia, Feliz Heber, Feliz Marcos, Feliz Paula, Feliz Valesca, Feliz Erik, Feliz Elisa, Feliz Rita, Feliz Valdete, Feliz Antônio, Feliz Bartolomeu, Feliz Carlos, Feliz Josefa, Feliz Sebastião, Feliz Jeferson, Feliz Reginaldo, Feliz Carla, Feliz Paulo, Feliz Bárbara, Feliz Armando, Feliz Madalena, Feliz Dueli, Feliz Flávia, Feliz Abigail, Feliz Grace, Feliz Carminha, Feliz Saulo, Feliz Renato, Feliz Virgínia, Feliz Andrew, Feliz Luíza, Feliz Felizardo =), Feliz Marilde, Feliz Silvana, Feliz Anderson, Feliz Reneide, Feliz Robson, Feliz Gabriela, Feliz Carolina, Feliz Marlize, Feliz Eliseu, Feliz Mônica ...


Que sejam sempre felizes, em 2012 e em qualquer oportunidade, qualquer momentinho... Que encontrem razões e motivos para estarem felizes, nem que seja por instantes e que estes instantes se multipliquem e sejam revividos em memórias felizes também.

Por mais sincero que seja o desejo, 2012 não vai se fazer e nem fazer ninguém feliz sozinho. 


Run Forrest, run Forrest, run Forrest, run Forrest, ruuuun!!!



"E que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar a o espírito" 
Oswaldo Montenegro