quarta-feira, 29 de setembro de 2010

... what comes next!

Gente... vou postar aqui a seqüência... mas a partir de agora, quem quiser continuar acompanhando, pode acessar o blog "sagalegado.blogspot.com". Aqui vou continuar escrevendo minhas leseiras de costume! Lá vou postar a continuação dessa história abigobel que estou inventado! hahahahahaha Deal? Bjus!


Laila entrou no casarão da forma mais silenciosa possível.
Surpreendentemente, o filhote parecia compreender sua urgência em não alertar os empregados e guardas e se manteve absolutamente imóvel.
Depois de atravessar o pequeno buraco na cerca viva que usava como rota de fuga para o "mundo" exterior, Laila se esgueirou cuidadosamente pela entrada dos serviçais até o corredor que dava para os aposentos principais da casa e escorregou, sempre virada de frente para as paredes, até chegar ao último quarto, com enormes portas duplas, folheadas a ouro, ricamente ornadas e com altíssimos pés direitos.
Eram os aposentos mais elegantes e suntosos da casa e lhe foram dados por seus tios exatamente para seduzir a pequena garotinha, desde os três anos de idade, na esperança de que aquilo a mantivesse sempre em casa: segura, longe de problemas e de olhares curiosos.
Era isso, pelo menos, que lhes asseguravam. E Laila, apesar de os achar exagerados e cisudos, os amava profundamente e acreditava em seus tios.
Dentro do quarto, tratou de forrar a cama com uma toalha, colocar o pequeno labrador em cima e avaliar a situação. Ele não estava tão mal como parecia. As feridas eram mais superficias. E o cãozinho não estava amendrontado ou dava sinal de dores. Apenas a olhava com olhos profundamente inteligentes e impressionantemente curiosos. Era como se alguém a olhasse verdadeiramente pela primeira vez em toda sua vida! Ao menos era assim que ela se sentia! E de fato, ela se deu conta, era exatamente este o caso: ninguém nunca vira Laila como ela era DE VERDADE até então. Solta na rua, capaz de atirar pedras e latas em cães enormes, recolher um filhote estranho, desafiar a autoridade dos tios, ninguém nunca a vira na intimidade de seu quarto e de sua vida.
Ficaram ali, se olhando: menina e cão. Por quanto tempo? Não saberiam dizer. Até que o filhote desviou o olhar e se mecheu irriquieto, como que constrangido! E a garota acordou do transe e resolveu que estava na hora de alimentar seu novo "bichinho de estimação", enquanto inventava uma história muito plausível e civilizada para contar a seus tios de como um cachorro veio parar dentro de sua casa, e de por que ele deveria permanecer nela.

...

A câmara principal do Palazzo Reale estava tensa. As ordens de que ninguém se aproximasse daquela área do castela tinham sido expressas e ninguém ousava desobedecer aos Reis. Suas Majestades eram irmãos gêmeos idênticos, de beleza sóbria, na casa dos quarenta anos e sem esposas ou filhos. Eram brancos e ruivos, sérios e corretos. Nunca ninguém os via sorrir, a senão na presença de sua sobrinha Laila, que raramente era vista fora da mansão em que a criavam.
Embora fossem conhecidos pela retidão de seu caráter - especialmente Jofrey - eram igualmente famosos pela intolerância com desobediência - especialmente Dimitry - e todos os empregados e nobres arrumaram afazeres o mais longe possível do Palazzo Reale naquela tarde.
A guarda de elite estava no perímetro estabelecido e a postos, mas se algum passante escutasse atentamente, poderia ouvir o som de vidros quebrando e baques surdos.
- Jofrey, não adianta quebrar a mobília real, meu irmão! Sabíamos que esta época iria chegar. Temos que nos preparar da melhor forma possível e nos precaver a respeito de que modo poderemos nos surpreender e lidar melhor com a situação quando chegar o momento.
- Ah! Dimitry! Sua calma me deixa ainda mais enfurecido! Se apenas tivéssemos sido mais vigilantes! Mais atentos! Nunca poderíamos ter permitido algo assim! Eu a amava tanto! E amo tanto nossa pequena princesa. Não suporto pensar no que poderá acontecer! Não SUPORTO!
- Irmão. Paciência. Talvez nada ocorra. Há milhares e milhares de anos mitos e profecias nos circundam e até agora nada de concreto aconteceu! Tenhamos calma e sabedoria! Identifiquei em um reino não muito distante do nosso uma anciã que dizem ser das últimas descedentes legítimas de Yan. Já determinei que a trouxessem até nós o quanto antes!
Após um breve instante de silêncio, para mudar o assunto Jofrey perguntou a Dimitry:
- E como andam as investigações a respeito dos Ennys?
- Aaahhh! Tenho boas notícias! Foi visto um bando deles em uma ruela perto de Greek Alley. Um de nossos espiões conseguiu seguí-los e identificamos seu covil. Prendemos vários e estamos interrogando o líder. Estes Ennys sujos são tão doentes que rivalizam entre si. Aparentemente estes aí estavam em uma missão para capturar vivo ou morto um dos príncipes reais, mas não sabemos ainda qual deles, ou o motivo do fracasso da missão.
- Interessante... Mantenha-me informado. Bom saber que você anda se divertindo, irmão! - respondeu Jofrey sarcástico, sem demonstrar a mesma empolgação que Dimitry quanto ao assunto. - Agora vou sair e liberar a circulação no palácio.
E os irmãos se despediram. Jofrey mais sombrio do que chegou. Dimitry, por um instante distraído com o assunto dos Ennys, rindo consigo mesmo, saiu em direção à câmara de inquisição.

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